Em abril do ano passado, o Banco Central solicitou ao Fundo Garantidor de Crédito um empréstimo de 11 bilhões de reais para socorrer o Banco Master, então em grave situação financeira. O pedido foi formalizado por meio de um ofício assinado por três funcionários do BC, que argumentavam que a ajuda permitiria a saída do banco do mercado sem causar traumas ao sistema financeiro, apesar de já ser notório que a instituição criada por Daniel Vorcaro caminhava para a insolvência.
O documento alertava que a negativa do empréstimo poderia levar à liquidação do banco, o que resultaria em custos muito mais elevados para o FGC, estimados em 54,3 bilhões de reais, valor necessário para ressarcir investidores em caso de quebra. O texto também indicava que uma eventual falência poderia provocar efeito dominó em outras instituições que operavam de forma semelhante, especialmente na distribuição de CDBs com altas comissões.
No mesmo dia, o FGC recebeu outra carta, desta vez assinada por Walfrido Warde, advogado de Vorcaro, em tom ainda mais duro. O conteúdo era semelhante ao do ofício do BC e defendia que o fundo tinha o dever de apoiar soluções privadas, como a venda do Master ao BRB, solicitando rapidez na liberação dos recursos. A coincidência de argumentos chamou a atenção dos técnicos do fundo.
Temendo ser responsabilizado por uma crise bancária, o FGC concordou em conceder o empréstimo, mas reduziu o valor para 5,7 bilhões de reais. A decisão levou em conta garantias dadas pelo Banco Central de que a venda do Master ao BRB resolveria a situação e evitaria prejuízos maiores. O fundo também se amparou em seu estatuto, que permite intervenções para conter crises sistêmicas.
Cinco meses depois, porém, o Banco Central rejeitou a operação de venda ao BRB, alegando inviabilidade. O FGC então afirmou ter sido ludibriado e enviou carta ao BC relatando que, durante todo o processo, solicitou informações e documentos do Master e pediu atualizações sobre as negociações, mas teve todos os pedidos negados. O Banco Central não respondeu.
Representantes do mercado financeiro reagiram com indignação, afirmando que o BC já teria conhecimento de irregularidades no banco quando solicitou o empréstimo e que não houve esforço conjunto para buscar uma solução real. Segundo essas fontes, o apoio só faria sentido se houvesse chance de recuperação da instituição, o que não existiria naquele momento.
O episódio reforça críticas ao comportamento do Banco Central na condução da crise do Master, tanto antes quanto depois da gestão de Gabriel Galípolo. Reportagem da revista piauí aponta que a trajetória do banco esteve ligada à atuação do BC sob a presidência de Roberto Campos Neto, período em que o Master foi autorizado a operar, recebeu sucessivos alertas sobre sua situação financeira e, ainda assim, pôde expandir suas atividades e adquirir outras instituições, sem que os problemas fossem efetivamente corrigidos.












