A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que dois núcleos distintos atuaram na tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022.
O primeiro grupo foi responsável por executar o plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o monitoramento, a prisão e até o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Segundo a PGR, os envolvidos usaram conhecimentos técnicos e posições estratégicas para tentar neutralizar autoridades e gerar instabilidade social com o objetivo de romper a ordem institucional.
O segundo grupo, também composto por militares e agentes com acesso a cargos estratégicos, atuou para pressionar a cúpula das Forças Armadas a aderir a um decreto golpista. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que os réus desse núcleo participaram de ações táticas da organização criminosa e tentaram coagir o alto comando do Exército a apoiar o golpe.
Gonet destacou que os investigados sabiam que a narrativa de fraude eleitoral era falsa, mas mesmo assim insistiram em usá-la para mobilizar apoio popular. Ele citou áudios do agente da Polícia Federal Wladimir Soares, que admitiu disposição para uso de força letal, dizendo que “iriam matar meio mundo” se necessário. Wladimir também foi investigado por repassar informações sobre a segurança de Lula a aliados de Bolsonaro.
A PGR classificou a organização como “homicida e brutal”, com ações armadas e coordenadas. Gonet também rebateu a tese das defesas de que coronéis não teriam influência sobre generais, afirmando que os réus buscaram justamente meios extraordinários para romper a hierarquia e pressionar o comando militar, inclusive por meio de uma carta assinada por oficiais da ativa em 28 de novembro, com apelo para que o Exército se posicionasse publicamente.
Estão sendo julgados:
Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel do Exército)
Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general da reserva)
Fabrício Moreira de Bastos (coronel do Exército)
Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel do Exército)
Márcio Nunes de Resende Jr. (coronel do Exército)
Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel do Exército)
Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel do Exército)
Ronald Ferreira de Araújo Jr. (tenente-coronel do Exército)
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel do Exército)
Wladimir Matos Soares (agente da Polícia Federal)
A PGR pediu a condenação dos nove por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado. No caso do tenente-coronel Ronald Ferreira, a Procuradoria reconheceu participação pontual e defendeu que ele responda por incitação ao crime, o que pode permitir um acordo judicial.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal já condenou 15 pessoas por envolvimento na tentativa de golpe. As penas variam de 16 a 27 anos de prisão. Os condenados fazem parte dos núcleos considerados centrais na articulação e execução de ações contra a democracia.












