Governo suspende registros de imóveis ligados a Willer Tomaz em Angra

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, determinou a suspensão temporária dos registros patrimoniais de quatro imóveis associados ao advogado Willer Tomaz, localizados na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A decisão, divulgada em 6 de novembro de 2026, também atinge uma propriedade que está no centro de uma disputa envolvendo o atacante Richarlison, jogador do Tottenham e da Seleção Brasileira. A medida busca impedir novas transferências dos direitos de ocupação enquanto o governo federal apura possíveis irregularidades nos procedimentos administrativos que autorizaram a utilização das áreas.

A iniciativa atende a representações apresentadas pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), além de considerar questionamentos e determinações judiciais relacionados aos imóveis. A SPU investiga especialmente a transferência dos direitos de ocupação de uma das propriedades para a empresa WT Administração de Imóveis e Bens S.A., ligada a Willer Tomaz, em julho de 2022. Um dos pontos que chamou a atenção dos órgãos responsáveis foi a emissão de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT) em aproximadamente uma hora e 40 minutos após a solicitação. A secretaria também questionou a documentação judicial utilizada para respaldar a operação e encaminhou informações à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Polícia Federal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi acionado para apurar denúncias de possíveis irregularidades ambientais na região.

A disputa pela propriedade envolve também Richarlison, que afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição dos direitos sobre uma mansão na ilha, em 2020, por meio de uma negociação com outros envolvidos. O jogador sustenta que perdeu os direitos sobre o imóvel após uma sequência de medidas judiciais e administrativas e já acusou publicamente Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de participação na situação. O parlamentar, amigo do advogado, foi mencionado pelo atleta durante a controvérsia, que ganhou repercussão nacional durante a campanha eleitoral de 2026. As alegações de Richarlison, entretanto, fazem parte de uma disputa ainda sujeita à análise judicial e administrativa, não representando uma conclusão definitiva sobre a titularidade dos direitos de ocupação.

A defesa de Willer Tomaz contesta as suspeitas e afirma que a transferência dos direitos de ocupação ocorreu de maneira regular, com autorização da própria Secretaria do Patrimônio da União. Em manifestação divulgada pelo Metrópoles, os advogados argumentaram que o procedimento administrativo não foi concluído em apenas duas horas, mas tramitou por aproximadamente 62 dias, entre maio e julho de 2022. Segundo a defesa, o intervalo de uma hora e 40 minutos correspondeu somente à emissão final da certidão, depois de um processo que já estava instruído. Os representantes também sustentam que a autorização foi expedida em modalidade especial devido a um impedimento técnico no sistema e que as obrigações financeiras relacionadas à operação foram cumpridas.

O caso também está relacionado a investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF). Willer Tomaz é investigado em apuração que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a operações financeiras e empresas ligadas ao mercado de apostas. O senador Flávio Bolsonaro também aparece no contexto dessa investigação. Em outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares que incluíram o bloqueio de bens de Willer Tomaz até o limite de R$ 6 bilhões, segundo informações divulgadas pela imprensa. A mansão localizada em Angra dos Reis está entre os bens alcançados pelas medidas. A suspensão administrativa dos registros pela SPU, por sua vez, não representa uma decisão definitiva sobre a posse da propriedade nem comprova, isoladamente, a ocorrência de crimes.

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