O processamento industrial de soja em Mato Grosso alcançou um novo recorde histórico no acumulado de janeiro a setembro de 2026. As indústrias do estado esmagaram 10,42 milhões de toneladas da oleaginosa nos primeiros nove meses do ano, volume 4,74% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados na quinta-feira (29 de outubro) pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), com base em levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Segundo o instituto, o resultado representa o maior volume já registrado para esse intervalo na série histórica e demonstra o avanço da capacidade de industrialização da soja no estado. O desempenho está relacionado principalmente à maior disponibilidade de matéria-prima nas duas últimas safras, à produção elevada de grãos e aos ganhos de eficiência das unidades industriais, que vêm utilizando de maneira mais intensa sua capacidade instalada.
A perspectiva para o encerramento de 2026 também é positiva. O Imea projeta que o processamento alcance 13,66 milhões de toneladas até dezembro, o que representaria crescimento de aproximadamente 5% em relação ao volume registrado em 2025. Caso a estimativa seja confirmada, a agroindústria mato-grossense deverá estabelecer um novo recorde anual de esmagamento, ampliando a participação do estado na transformação industrial da produção agrícola.
A coordenadora de Inteligência Econômica do Imea, Laysa Avalos, explica que a combinação entre maior oferta de soja e melhor aproveitamento da estrutura industrial tem contribuído para a expansão da atividade. Segundo ela, a disponibilidade de matéria-prima permite que as empresas mantenham volumes elevados de processamento, enquanto a eficiência operacional favorece o crescimento da produção industrial. Essa combinação ajuda a explicar o recorde alcançado no acumulado de 2026.
Apesar do resultado positivo no período, setembro apresentou uma redução no processamento mensal. As indústrias mato-grossenses esmagaram 1,01 milhão de toneladas de soja, volume 12,80% inferior ao registrado em agosto. De acordo com o Imea, a retração foi influenciada pelas paradas anuais programadas para manutenção das unidades industriais, procedimento necessário para conservação dos equipamentos e continuidade das operações. O instituto ressalta que essa redução pontual não comprometeu o desempenho positivo observado nos nove primeiros meses do ano.
O avanço do esmagamento também representa uma mudança importante na dinâmica econômica do agronegócio estadual. Além de produzir e comercializar grandes volumes de grãos, Mato Grosso amplia sua capacidade de transformar a soja em produtos industrializados dentro do próprio território. Esse processo permite agregar valor à produção agrícola, movimentar investimentos e fortalecer a integração entre o campo e a indústria.
O esmagamento da soja resulta principalmente em dois produtos: óleo e farelo. O óleo é utilizado na alimentação humana e também constitui matéria-prima para a produção de biodiesel, enquanto o farelo possui grande importância na fabricação de rações destinadas à alimentação de aves, suínos, bovinos e outros animais. Dessa forma, o crescimento da atividade industrial beneficia diferentes segmentos, incluindo as cadeias de proteína animal, energia e alimentos.
Laysa Avalos também destaca os efeitos econômicos da expansão do processamento sobre outros setores. A atividade movimenta serviços especializados, transporte, armazenamento e logística, além de contribuir para a geração de empregos e renda. A ampliação da capacidade de transformação industrial fortalece a economia regional e cria novas oportunidades para empresas ligadas ao agronegócio.
O desempenho registrado em 2026 reforça a posição de Mato Grosso como um dos principais polos brasileiros de produção e processamento de soja. Com a disponibilidade de matéria-prima e a ampliação da eficiência das indústrias, o estado busca avançar na industrialização de sua produção agrícola, reduzindo a dependência da comercialização exclusiva de grãos e ampliando a participação de produtos com maior valor agregado.
A projeção de 13,66 milhões de toneladas para o fechamento do ano ainda depende dos resultados dos últimos meses, mas indica a possibilidade de um novo recorde para a agroindústria estadual. Caso se confirme, o resultado consolidará mais um avanço da cadeia produtiva da soja em Mato Grosso, com reflexos sobre a indústria, o mercado de biodiesel, a produção de alimentos e a economia dos municípios envolvidos na atividade.















