O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) criticou manifestações nas redes sociais que incentivam boicotes aos nove municípios de Mato Grosso onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu no primeiro turno da eleição presidencial. Em declaração divulgada nesta quinta-feira (15), o parlamentar classificou as publicações como manifestações de intolerância política e afirmou que a população não deve ser prejudicada por suas escolhas eleitorais. As mensagens que motivaram a reação também associaram a situação de pobreza dessas localidades à preferência política de seus moradores.
“Esse exemplo que você está citando é importante para que a população perceba de que forma os nossos adversários se comportam. A política deles é do ódio, é da perseguição. Eles só aceitam quem pensa igual a eles”, afirmou Lúdio. Para o deputado, as manifestações precisam ser consideradas pelos eleitores durante a escolha de quem governará o país. Ele defendeu que divergências políticas não sejam transformadas em justificativa para discriminar municípios ou restringir o acesso da população a políticas públicas.
Ao rebater a possibilidade de cidades perderem investimentos ou recursos públicos por causa do resultado das urnas, Lúdio citou ações federais realizadas em municípios administrados por prefeitos do Partido Liberal (PL), legenda de oposição ao presidente Lula. Entre os exemplos apresentados estão a construção de uma maternidade pública em Várzea Grande, uma policlínica em Rondonópolis e investimentos em maternidade e policlínica em Sinop. Os exemplos foram utilizados pelo parlamentar para argumentar que os serviços públicos devem atender à população independentemente da orientação política dos gestores municipais.
O deputado também mencionou a transferência do controle da concessão da BR-163 para o governo de Mato Grosso como exemplo de cooperação entre administrações de partidos diferentes. Segundo ele, o diálogo entre Lula e o então governador Mauro Mendes (União Brasil) contribuiu para viabilizar R$ 5,9 bilhões em investimentos destinados às obras de duplicação da rodovia. Ao defender essa relação institucional, Lúdio afirmou que a capacidade de dialogar com diferentes grupos políticos é importante para garantir investimentos e atender às necessidades da população.
Durante a entrevista, o parlamentar também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República, e questionou sua trajetória política. Lúdio comparou a experiência de Flávio com a do presidente Lula e a do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), destacando a união de lideranças de diferentes orientações ideológicas no atual governo. “Lula de esquerda, Alckmin de direita. Direita e esquerda unidas pelo bem do nosso Brasil. Do outro lado, Flávio Bolsonaro e um vice que a gente nem sabe qual o nome. O que o Flávio Bolsonaro fez em 24 anos como deputado estadual e como senador?”, declarou.
Lúdio também contestou o chamado “tesouraço” nas despesas públicas, associado a integrantes da equipe econômica ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro. Na avaliação do deputado, medidas de redução de gastos poderiam afetar direitos sociais e trabalhistas, além de provocar mudanças nas regras previdenciárias e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Essas consequências foram apresentadas pelo parlamentar como riscos que ele atribui às propostas econômicas criticadas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou publicamente que não pretende promover uma nova reforma da Previdência e prometeu preservar a valorização do salário mínimo e os programas sociais.
A discussão sobre o boicote também provocou manifestações de outras lideranças de Mato Grosso. O deputado estadual eleito Léo Bortolin (MDB) criticou a ideia de prejudicar cidades inteiras por causa da preferência política dos moradores e defendeu que os apoiadores de Flávio Bolsonaro busquem conquistar votos por meio do diálogo. Já o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou não acreditar que as manifestações nas redes sociais se transformem em retaliações concretas contra os municípios. O episódio mantém em evidência o debate sobre a relação entre divergências eleitorais, distribuição de recursos públicos e respeito aos direitos dos cidadãos.













