Quase 65% dos municípios brasileiros registraram cobertura vacinal abaixo da meta recomendada para a segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Levantamento divulgado pela CNN Brasil nesta terça-feira (13 de outubro de 2026), com dados do Ministério da Saúde referentes ao período de janeiro a agosto, identificou 3.589 cidades com índices inferiores a 95%. O Brasil tem 5.570 municípios, o que evidencia a dimensão do desafio para ampliar a proteção da população contra a doença.
Os números também revelam uma diferença importante entre a aplicação da primeira e da segunda dose. Segundo os dados apresentados pela CNN Brasil, a cobertura nacional da primeira dose chegou a 94,66% entre crianças de até um ano, enquanto a segunda dose alcançou 79,78%. A meta recomendada pelo Ministério da Saúde é de 95% para cada etapa da vacinação. A conclusão do esquema é fundamental para ampliar a proteção individual e reduzir as possibilidades de transmissão do vírus.
O cenário preocupa as autoridades sanitárias porque o sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida pelo ar e capaz de provocar complicações graves, especialmente em crianças pequenas e pessoas com a imunização incompleta. Entre os sintomas estão febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele. Em casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia, encefalite e até levar à morte. A vacinação continua sendo a principal medida de prevenção.
Em atualização divulgada em outubro, o Ministério da Saúde informou que o Brasil havia registrado 52 casos importados de sarampo em 2026 até o dia 5 daquele mês. Desse total, 41 foram identificados em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Apesar dos registros, o país mantinha o status de livre da circulação endêmica do vírus, recuperado em novembro de 2024, após a interrupção da transmissão sustentada. Os casos importados, entretanto, exigem vigilância epidemiológica para evitar que a doença volte a circular continuamente em território nacional.
Para conter o risco de transmissão, as equipes de saúde realizam busca ativa de pessoas que tiveram contato com casos confirmados, investigação epidemiológica e bloqueio vacinal nas áreas afetadas. O Ministério da Saúde também reforçou a vacinação em locais de grande circulação e orientou estados e municípios a intensificarem as ações de prevenção. Em São Paulo, por exemplo, houve ampliação das recomendações de vacinação em municípios que registraram casos e apresentavam risco de disseminação.
A recuperação das coberturas vacinais observada nos últimos anos é considerada um avanço, mas os índices da segunda dose mostram que ainda existem lacunas importantes. Em nota técnica publicada em 2026, o Ministério da Saúde destacou que, em 2025, a primeira dose da tríplice viral alcançou 92,66% de cobertura nacional, enquanto a segunda ficou em 78,02%. A distribuição desigual dos resultados entre os municípios dificulta alcançar a proteção necessária em todo o país e mantém grupos populacionais vulneráveis à introdução do vírus.
A orientação das autoridades é que pais e responsáveis confiram a caderneta de vacinação das crianças e procurem uma unidade de saúde caso existam doses pendentes. A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações. Pessoas que pretendem viajar para regiões com circulação do vírus também devem verificar se estão com a vacinação em dia e buscar orientação dos profissionais de saúde.
Os dados reforçam que a manutenção do controle do sarampo depende tanto da vigilância dos casos importados quanto da ampliação da vacinação nos municípios que ainda não atingiram a meta. Embora o Brasil não apresente circulação endêmica da doença, a cobertura abaixo do recomendado na segunda dose pode favorecer a formação de bolsões de pessoas suscetíveis. Para evitar novos surtos, o desafio é ampliar o acesso à imunização, completar os esquemas vacinais e manter as ações de prevenção em todo o território nacional.













