
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou neste domingo, 11 de outubro de 2026, de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato, denominado Marcha pela Democracia, reuniu milhares de pessoas em apoio à candidatura e contou com a presença de movimentos sociais, organizações estudantis, artistas, torcidas organizadas e comunidades de fãs de artistas internacionais. A mobilização ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), com percurso previsto até a Praça Roosevelt, em uma agenda marcada pela proximidade do segundo turno presidencial, previsto para 25 de outubro.
Durante a manifestação, Lula criticou a proposta de redução de gastos apresentada pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL), que chamou de “tesouraço”. O presidente afirmou que os cortes poderiam atingir principalmente a população de baixa renda, aposentados e pessoas que dependem de políticas públicas. Ao comparar a proposta com medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei, Lula declarou: “O tesouraço dele possivelmente seria o mesmo tesouraço do Milei, ou seja, cortar direito do povo pobre, cortar direito do aposentado, cortar direito daqueles que precisam ganhar um pouco mais”. A avaliação foi apresentada pelo candidato durante o discurso e não representa uma conclusão independente sobre os efeitos da proposta.
Outro assunto destacado pelo presidente foi a votação prevista para quarta-feira, 14 de outubro, no Senado, sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Lula afirmou que a votação permitirá verificar o posicionamento do Partido Liberal (PL) em relação à proposta de ampliar o descanso semanal dos trabalhadores. O candidato também criticou a possibilidade de adiamento da análise para depois do segundo turno e defendeu que os parlamentares assumam publicamente suas posições sobre o tema.
Na área da segurança pública, Lula defendeu o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê mudanças na organização e na atuação federal no combate à criminalidade. Segundo o presidente, a proposta permitirá uma participação mais direta do governo federal na coordenação das ações de segurança. Durante o discurso, ele afirmou que pretende ampliar a proteção às comunidades e reforçar o combate às organizações criminosas. A tramitação da PEC no Congresso Nacional permanece sujeita à análise e às decisões dos parlamentares.
O candidato também voltou a criticar a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, mencionando a crise de falta de oxigênio em hospitais e a condução das políticas sanitárias. Na área da educação, Lula destacou o aumento do número de pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho e afirmou que pretende ampliar esse contingente em um eventual novo mandato. Ele também prometeu investimentos em inteligência artificial, indústria digital e inovação tecnológica, além de defender uma transformação na matriz energética brasileira.
A mobilização dos eleitores foi outro ponto central do pronunciamento. Lula chamou a atenção para a abstenção de 21,08% registrada no primeiro turno e pediu que pessoas com mais de 70 anos compareçam às urnas, embora o voto seja facultativo nessa faixa etária. O presidente também dirigiu uma mensagem aos jovens, defendendo maior participação política. A campanha busca ampliar a presença de apoiadores na votação decisiva, marcada para 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Manifestações de apoio à candidatura também foram registradas em outras cidades brasileiras, incluindo Maceió, Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Goiânia e Salvador. Em diferentes locais, os atos reuniram apoiadores da reeleição e defenderam pautas como o fim da escala 6×1, a educação pública e os direitos sociais. A mobilização na Avenida Paulista ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro cumpriu agenda política em São Paulo com aliados e representantes municipais, em uma etapa da campanha marcada pela intensificação das atividades dos dois candidatos antes do segundo turno.












