O preço médio da gasolina comum no Brasil apresentou relativa estabilidade nos últimos meses, mesmo diante das pressões provocadas pela guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo. Levantamento divulgado pela CNN Brasil em 11 de outubro de 2026, com base nos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), aponta que o combustível acumulou queda de 3,4% desde o início de abril, passando de R$ 6,77 para R$ 6,54 por litro na semana de 4 a 10 de outubro.
A trajetória dos preços, entretanto, não foi uniforme. Em março, durante a intensificação do conflito, a gasolina subiu de R$ 6,30 para R$ 6,78 por litro em aproximadamente três semanas, uma alta de 7,6%. A partir de abril, o movimento perdeu força e deu lugar a uma redução gradual. Desde agosto, o preço médio nacional oscilou entre R$ 6,51 e R$ 6,55 por litro. Apesar da queda recente, o combustível ainda estava 3,6% mais caro do que na primeira semana de fevereiro, quando custava R$ 6,31.
Para conter os efeitos da instabilidade internacional, o governo federal anunciou, em 9 de outubro, novas medidas para reduzir a pressão sobre os combustíveis. A desoneração dos tributos federais incidentes sobre a gasolina foi ampliada de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, com validade inicial de 30 dias. A medida zera as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis, conforme comunicado do Ministério da Fazenda. O governo pretende reduzir o impacto dos custos internacionais sobre os consumidores e conter pressões inflacionárias.
O pacote também prevê a manutenção da desoneração do etanol hidratado, equivalente a R$ 0,19 por litro, além da ampliação da subvenção destinada aos produtores do biocombustível. Para o diesel importado, o governo anunciou um auxílio adicional de R$ 1,40 por litro durante 30 dias, que será somado à subvenção de R$ 2,12 já existente. Segundo o Ministério da Fazenda, o conjunto das novas medidas para gasolina, etanol e diesel terá impacto estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 dias.
Apesar das medidas, a redução dos tributos não garante que o desconto seja repassado integralmente e de forma imediata aos consumidores. O preço final depende de diferentes fatores, como custos de distribuição, margens de revenda e condições de mercado. O governo afirmou que acompanhará a formação dos preços para evitar aumentos abusivos. A ANP, por sua vez, mantém o levantamento semanal dos valores praticados nos postos em todo o país.
A estabilidade observada até outubro, portanto, ocorre em um cenário de intervenção pública para amortecer os efeitos da crise internacional. O resultado das novas medidas dependerá tanto da evolução do mercado mundial de petróleo quanto do repasse dos benefícios tributários e das subvenções ao consumidor final. Os próximos levantamentos da ANP serão importantes para verificar se as mudanças anunciadas em 9 de outubro resultarão em novas reduções no preço médio da gasolina nas bombas.













