Fumaça das queimadas sufoca Manaus, suspende aulas e mobiliza governo federal

Manaus enfrentou, no início de outubro de 2026, uma grave piora na qualidade do ar provocada pela fumaça de queimadas e incêndios na região amazônica. Em 9 de outubro, a capital do Amazonas registrou níveis críticos de poluição atmosférica, levando a Defesa Civil a recomendar o uso de máscaras de proteção e a Prefeitura a suspender temporariamente as aulas da rede municipal. Naquele dia, a concentração média de material particulado chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³), segundo comunicado oficial do município.

De acordo com a plataforma internacional IQAir, a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 91,3 µg/m³ às 12h30 de 9 de outubro, enquanto durante a madrugada houve um pico de 534 µg/m³. As partículas PM2.5 são suficientemente pequenas para penetrar profundamente no sistema respiratório e podem agravar doenças pulmonares e cardiovasculares. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a concentração média diária desse poluente não ultrapasse 15 µg/m³. Os números evidenciam a gravidade dos episódios registrados, embora as medições variem conforme o horário e o ponto de monitoramento.

A fumaça que encobriu diferentes regiões de Manaus teve mais de uma origem. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parte da poluição veio de queimadas em municípios do interior, como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes. A situação foi agravada por um incêndio iniciado em 6 de outubro em uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na zona leste da capital. As chamas atingiram mais de 15 mil metros quadrados, e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas precisou de aproximadamente dois dias para controlar o fogo.

Durante a fiscalização da área, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) identificou pneus, plásticos, resíduos orgânicos e materiais contaminados com óleo e tinta, que não estavam autorizados pela licença ambiental do local. Por causa das irregularidades, o responsável foi multado em R$ 5,555 milhões. O órgão também informou que avaliaria possíveis impactos sobre o solo e as águas subterrâneas. A empresa responsável teria prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa ou efetuar o pagamento da multa.

Os efeitos da poluição também atingiram instituições de ensino e serviços públicos. Além da suspensão das aulas municipais em 9 de outubro, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) cancelou atividades presenciais não essenciais, enquanto o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) transferiu atividades do campus Manaus Zona Leste para o formato remoto. As medidas foram adotadas diante dos riscos associados à exposição à fumaça, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias. A população foi orientada a evitar atividades físicas ao ar livre, manter-se hidratada e procurar atendimento de saúde em caso de sintomas importantes.

No sábado, 10 de outubro, representantes da Prefeitura de Manaus, do governo estadual e do governo federal participaram de uma reunião extraordinária para coordenar as ações de combate aos incêndios e reduzir os impactos da fumaça. Segundo comunicado municipal publicado na madrugada de 11 de outubro, o governo federal destinou 11 aeronaves de reforço ao Amazonas. Seis delas, quatro aviões e dois helicópteros, já haviam chegado à Base Aérea de Manaus, enquanto as demais estavam a caminho. A prefeitura também informou que manteria o monitoramento da qualidade do ar e reforçaria a cooperação com os municípios vizinhos afetados pelas queimadas.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou, em nota de 9 de outubro, que o Ibama havia extinguido 229 incêndios florestais no Amazonas e continuava combatendo outros 20 focos ativos. As ações incluem mobilização de equipes, aeronaves, monitoramento e operações de prevenção. O cenário permanece relacionado à estiagem, à vegetação ressecada e ao uso irregular do fogo, fatores que favorecem a propagação das chamas. A evolução da qualidade do ar dependerá do controle dos incêndios, das condições meteorológicas e da dispersão dos poluentes. Por isso, as autoridades mantêm o alerta para que a população acompanhe os boletins oficiais e adote medidas de proteção enquanto persistirem os níveis elevados de fumaça.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui