Flávio Bolsonaro flerta com a ditadura e já fala em governar “por décadas”

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, ampliou nesta semana o discurso sobre mudanças na Constituição e a nova composição do Congresso Nacional. Em reunião com parlamentares eleitos de seu partido, em Brasília, na quarta-feira (7), o senador afirmou que o resultado das eleições legislativas permitirá ao grupo avançar sobre mudanças constitucionais e declarou: “A gente vai ficar por décadas sem falar de PT aqui”. A fala foi posteriormente interpretada pelo Portal Vermelho como uma sinalização de permanência prolongada do bolsonarismo no poder, mas outros veículos registraram a declaração com a referência específica ao afastamento do PT.

O episódio ocorreu depois de Flávio defender, na terça-feira (6), em Goiânia, que uma eventual maioria no Senado e na Câmara seja utilizada para “mudar a Constituição” e “redemocratizar o país”. No dia seguinte, o candidato explicou que estava se referindo a propostas como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, mudanças na reforma tributária e fim da reeleição para presidente. Flávio também questionou se o Brasil vive atualmente uma “democracia plena” e afirmou que o Congresso eleito estaria alinhado ao projeto que pretende executar caso chegue ao Palácio do Planalto. FFolha de S.Paulo+1

Nesta quinta-feira (8), Flávio voltou ao tema do fim da reeleição e afirmou que a mudança deveria valer já para seu eventual mandato. “Propus para mim. Tem que valer para mim. Eu sou autor da PEC que acaba com reeleição”, declarou. O candidato acrescentou que pretende usar a força política de um presidente recém-eleito para aprovar a proposta e deixou ao Congresso a decisão sobre a duração do mandato, admitindo a possibilidade de quatro ou cinco anos. Ele também defendeu que a regra alcance parentes até o terceiro grau, o que poderia impedir uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro ao mesmo cargo em um futuro pleito. FFolha de S.Paulo

A discussão ocorre no contexto de uma eleição presidencial que terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25 de outubro. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A disputa permanece aberta e, na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, Flávio aparece numericamente à frente, com 49% das intenções de voto contra 45% de Lula, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. AAgência Brasil+1

O debate sobre a capacidade de Flávio implementar suas propostas também ganhou força após a eleição do novo Congresso. O PL ampliará sua presença no Senado para 28 cadeiras a partir de 2027 e terá 121 deputados federais, mas uma emenda constitucional exige três quintos dos votos em dois turnos, ou seja, 308 deputados e 49 senadores. Portanto, apesar do crescimento da bancada e da possibilidade de formação de uma maioria conservadora mais ampla, a aprovação de mudanças constitucionais dependerá da construção de alianças com outras forças políticas. TTribuna da Internet+1

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