A Polícia Federal e a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso investigam o ataque cibernético que atingiu os sistemas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e apuram se há relação entre a invasão e outros incidentes registrados no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e no Senado Federal. A possibilidade de que os ataques tenham sido realizados pelo mesmo grupo ainda é uma hipótese investigativa e não foi confirmada pelas autoridades.
O incidente no TJMT foi identificado no domingo, 20 de setembro, e provocou a retirada preventiva de sistemas como o Processo Judicial Eletrônico (PJe). O tribunal informou que credenciais de usuários da rede, incluindo logins e senhas criptografadas, foram acessadas. Até o momento, segundo a Corte, não existem evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores e magistrados, decisões judiciais ou backups. Todas as senhas estão sendo redefinidas.
O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, confirmou o acionamento das polícias para investigar o crime cibernético. Segundo ele, a Polícia Federal foi chamada porque um dos sistemas atingidos é ligado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), enquanto outros sistemas afetados pertencem ao próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Como parte da recuperação, o TJMT anunciou em 25 de setembro que o atendimento ao público será retomado na segunda-feira, 28 de setembro. Os prazos processuais, porém, continuarão suspensos até quarta-feira, 30 de setembro, e voltarão a correr em 1º de outubro, quinta-feira. A suspensão abrange processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus, enquanto os processos de execução penal que tramitam pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU) permanecem fora da medida.
A investigação também considera uma possível conexão com o episódio ocorrido na Bahia. No TJBA, o incidente envolveu o BRBJUS, plataforma do Banco de Brasília (BRB) utilizada na gestão de depósitos judiciais. Segundo o Tribunal baiano, as credenciais envolvidas eram administradas pelo banco e os sistemas internos da Corte não foram afetados. O caso foi associado a um desvio de R$ 43 milhões, enquanto o BRB afirmou que não haverá prejuízo financeiro para tribunais, contas judiciais ou beneficiários.
Em 24 de setembro, o TJBA informou que o BRB havia restabelecido parte dos serviços do BRBJUS, incluindo o recebimento de guias de depósito, a elaboração de minutas de alvará e a consulta de saldos. O cumprimento das ordens de pagamento continuava sujeito às medidas de contingência adotadas pelo tribunal.
Os investigadores também verificam possíveis semelhanças com o ataque registrado contra o Senado Federal em março. Até o momento, entretanto, não há confirmação pública de que os episódios tenham sido praticados pelo mesmo autor ou grupo. A apuração deverá esclarecer a origem dos ataques, os responsáveis e eventual conexão entre os diferentes incidentes de segurança.














