A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou quatro vezes transferir para o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os pedidos foram apresentados entre 3 e 29 de julho de 2026. Dois foram encaminhados ao então presidente do STF, ministro Edson Fachin, e outros dois ao ministro Flávio Dino, responsável pela apuração relacionada às emendas.
Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentaram que Mendonça deveria concentrar as investigações porque já conduzia procedimentos relacionados ao financiamento privado do filme e às operações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A defesa questionou a distribuição da investigação a Dino e sustentou que cinco dos seis procedimentos relacionados ao filme estavam sob relatoria de Mendonça. Em uma das petições, os advogados chegaram a classificar a distribuição do caso como uma “prevenção artificial”.
As duas frentes de investigação, porém, permaneceram separadas. Mendonça conduz o inquérito que apura suspeitas relacionadas ao financiamento privado de “Dark Horse”, no qual Flávio Bolsonaro foi incluído como investigado em 22 de julho. Segundo a Polícia Federal, o caso envolve cerca de R$ 61 milhões repassados por Vorcaro para custear a produção. Entre as suspeitas estão lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio afirma que os recursos foram destinados à produção do filme e nega irregularidades.
A investigação sob responsabilidade de Dino avançou nos últimos dias. Em 10 de setembro, o ministro autorizou a Operação Make Up, que levou a Polícia Federal a cumprir 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A operação apura suspeitas de irregularidades na utilização de emendas parlamentares relacionadas à produção do filme. Entre os investigados está o deputado federal Mario Frias, enquanto a produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, também está no centro das apurações.
O caso teve novas movimentações em 9 de setembro, quando André Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é apontado como responsável por repasses de recursos de Daniel Vorcaro ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. A delação passou a integrar a investigação sobre o financiamento privado do filme e acrescentou novos elementos à apuração conduzida por Mendonça.
Já em 13 de setembro, Flávio Dino determinou o levantamento do sigilo de todo o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre o possível uso irregular de emendas para financiar “Dark Horse”. O ministro também determinou que os dados brutos extraídos dos celulares dos investigados fossem encaminhados à Polícia Federal. Dino afirmou que as investigações devem ter “ampla publicidade” e citou como fundamento uma mudança recente na política de divulgação de informações de processos no STF.
Com isso, as duas investigações seguem em paralelo no Supremo. Mendonça concentra a apuração sobre o financiamento privado do filme e os recursos atribuídos a Daniel Vorcaro, enquanto Dino conduz a frente relacionada ao possível uso irregular de emendas parlamentares. A tentativa da defesa de Flávio Bolsonaro de reunir as investigações sob a relatoria de Mendonça não prosperou, e os novos documentos divulgados nos últimos dias ampliaram o conjunto de informações públicas sobre o caso.














