O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou que a corporação tenha realizado monitoramento ilegal do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e do advogado-geral da União, Jorge Messias. A manifestação foi apresentada nesta sexta-feira (11) ao presidente do STF, Edson Fachin, após Mendonça determinar o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
Segundo Rodrigues, os relatórios de inteligência questionados pelo ministro foram produzidos dentro das atividades regulares da Polícia Federal e não resultaram de vigilância, coleta clandestina de dados ou qualquer medida invasiva. “Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de Ministro deste E. STF e tampouco do Ilmo. Advogado-Geral da União”, afirmou o diretor-geral na manifestação encaminhada a Fachin.
Rodrigues também afirmou que os documentos não podem ser classificados como apócrifos. De acordo com sua defesa, os relatórios têm autoria institucional e foram registrados nos sistemas da Polícia Federal. A ausência do nome individual do analista, segundo o diretor-geral, estaria relacionada às regras de proteção dos profissionais que atuam na área de inteligência.
Outro ponto apresentado por Rodrigues é que os relatórios chegaram ao Supremo por determinação judicial de Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news. A defesa sustenta que a PF não encaminhou espontaneamente o material para fora da instituição e que os relatórios de inteligência não equivalem a uma investigação criminal, podendo conter análises de cenário, estimativas e hipóteses sem representar, por si só, acusação ou prova de crime.
A manifestação foi apresentada depois que Fachin suspendeu, na quarta-feira (9), a decisão de Mendonça que havia afastado Rodrigues e Almada. Os dois policiais retornaram aos cargos, e o presidente do STF determinou que Rodrigues apresentasse esclarecimentos antes de decidir sobre sua permanência definitiva no comando da Polícia Federal.
A crise começou após Mendonça afirmar que havia sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal pela inteligência da PF. Em sua decisão, o ministro também determinou medidas contra a cúpula da corporação e ordenou a interrupção da produção de determinados relatórios de inteligência. A medida desencadeou decisões conflitantes dentro do STF, incluindo uma determinação de Flávio Dino para reintegrar os dirigentes e, posteriormente, a intervenção de Fachin para suspender as decisões e reorganizar o comando da PF.














