Mato Grosso registrou redução de 33,2% no número de mortes decorrentes de intervenção policial entre 2024 e 2025, segundo dados reunidos em um painel desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). O levantamento aponta que os registros caíram de 214 para 143 casos no período, uma diferença de 71 ocorrências.
A ferramenta foi criada pelo MPMT com o objetivo de ampliar a transparência sobre a letalidade policial, subsidiar a formulação de políticas públicas, aperfeiçoar a atuação institucional e fortalecer o controle externo da atividade policial. O trabalho também está relacionado às ações do Comitê Interinstitucional criado pelas Portarias Conjuntas nº 1/2025 e nº 1/2026-PGJ-SESP, voltadas à prevenção, persecução penal e políticas públicas relacionadas à letalidade policial e à vitimização de profissionais da segurança pública.
O coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal e do Controle Externo da Atividade Policial, promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, destacou a necessidade de avaliar a qualidade das informações utilizadas. “É fundamental avaliar a qualidade da base de dados”, afirmou, ressaltando que o painel foi concebido para garantir transparência com rigor metodológico e permitir uma leitura mais qualificada dos indicadores.
A coordenadora adjunta do CAO Criminal e do Controle Externo da Atividade Policial, promotora de Justiça Nathalia Moreno Pereira, também ponderou que a redução de 214 para 143 registros é relevante, mas não deve ser analisada isoladamente. Segundo ela, é necessário considerar a série histórica, as taxas e a distribuição territorial das ocorrências para compreender o fenômeno.
A subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, reforçou outra ressalva importante sobre os números. Segundo ela, os indicadores estatísticos descrevem a ocorrência dos eventos, mas não explicam suas circunstâncias. Dessa forma, os dados não antecipam juízo sobre a licitude das ações ou eventual responsabilidade, questões que dependem de análise jurídica e das provas de cada caso.
O MPMT informou que a sistematização dos dados pretende qualificar o debate público, fortalecer a cooperação com os órgãos de segurança e aprimorar políticas baseadas em evidências. O painel deverá passar por atualizações periódicas e incorporar novos recortes analíticos, ampliando a análise sobre a letalidade policial em Mato Grosso.














