O primeiro debate televisivo com os seis candidatos ao Governo de Mato Grosso foi realizado nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, pela TV Vila Real, em Cuiabá, e terminou marcado por ataques, ironias, acusações e confrontos diretos. Participaram o governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos), o senador Wellington Fagundes (PL), a médica Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Millas (Missão), Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza).
O encontro teve aproximadamente três horas de duração e foi dividido em cinco blocos. Depois de uma primeira etapa com perguntas de jornalistas, os candidatos passaram a fazer questionamentos diretamente uns aos outros. Segurança pública, educação, saúde, violência contra a mulher, fome, pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores, incentivos fiscais, infraestrutura, industrialização, emendas parlamentares e utilização do fundo eleitoral estiveram entre os assuntos discutidos.
Um dos principais confrontos ocorreu entre Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes. O senador destacou sua atuação durante o governo Mauro Mendes e afirmou ter contribuído para avanços na educação, citando inclusive sua articulação com o então ministro da Economia, Paulo Guedes. Fagundes também levantou questionamentos sobre supostos episódios de corrupção e irregularidades, incluindo uma alegação relacionada a possível superfaturamento na aquisição de livros. Pivetta rebateu as críticas e defendeu os resultados apresentados pela atual administração estadual, principalmente nas áreas de educação, infraestrutura e investimentos.
A discussão sobre o passado político dos candidatos ganhou espaço ao longo do debate. Em determinado momento, Rafaell Millas direcionou críticas a Wellington Fagundes e utilizou o termo “melancia” para se referir ao senador, em uma provocação relacionada ao posicionamento político atribuído a ele. Fagundes também foi questionado por Laudicério sobre sua decisão de deixar a disputa pelo Senado para concorrer ao Governo de Mato Grosso antes do encerramento do mandato.
Outro episódio de forte repercussão envolveu uma acusação relacionada ao ex-governador Silval Barbosa. Otaviano Pivetta mencionou a suposta inclusão de Wellington Fagundes em uma delação do ex-governador, enquanto Rafaell Millas voltou ao assunto em outras oportunidades. Fagundes reagiu e solicitou direito de resposta para negar que tenha sido citado. Durante o debate, os candidatos que fizeram a acusação não apresentaram o trecho da colaboração premiada que comprovaria a afirmação.
O confronto também passou por temas sociais. Ao ser questionada por Pivetta sobre a retirada de pessoas da linha da pobreza, Natasha Slhessarenko defendeu a atração de empresas e a industrialização de Mato Grosso, citando setores como couro, ouro e algodão. A candidata afirmou ainda que aproximadamente 500 mil pessoas passam fome no Estado. Pivetta respondeu destacando investimentos realizados pelo governo estadual e os avanços que atribuiu à atual gestão.
A segurança pública e a violência contra a mulher também estiveram entre os assuntos que provocaram críticas entre os candidatos. As discussões colocaram em lados opostos diferentes avaliações sobre os resultados das políticas públicas estaduais e sobre a necessidade de ampliar investimentos e ações de prevenção e combate à criminalidade.
O debate ainda teve um momento de emoção envolvendo o Sargento Laudicério. O candidato do Agir chorou ao falar da própria mãe, que, segundo ele, foi vítima de negligência na área da saúde pública. O episódio contrastou com o tom predominante do encontro, que durante boa parte das três horas foi marcado por confrontos e questionamentos entre os concorrentes.
Ao todo, os seis candidatos tiveram espaço para se confrontar diretamente nos blocos destinados às perguntas entre os concorrentes. Levantamento divulgado pela Gazeta Digital apontou que Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta e Sargento Laudicério foram os candidatos mais questionados, com seis perguntas recebidas cada um. Natasha Slhessarenko e Rafaell Millas responderam a cinco questionamentos, enquanto Maurício Coelho recebeu duas perguntas.
O encontro realizado pela TV Vila Real foi o primeiro debate televisivo em rede aberta a reunir todos os seis candidatos que disputam o Palácio Paiaguás em 2026. A expectativa era de que os concorrentes apresentassem propostas para o Estado, mas os embates pessoais e as acusações sobre trajetórias políticas ocuparam parte significativa do tempo disponível.
Com pouco mais de um mês de campanha, o debate acrescentou novos elementos à disputa pelo Governo de Mato Grosso. Pivetta tenta permanecer no cargo, enquanto Wellington Fagundes, Natasha Slhessarenko, Rafaell Millas, Sargento Laudicério e Maurício Coelho buscam apresentar alternativas ao eleitorado. O próximo desafio dos candidatos será transformar a exposição obtida nos debates em propostas capazes de conquistar o eleitor até a votação.












