Três pessoas foram presas preventivamente nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, em Cuiabá, durante uma operação que investiga um grupo suspeito de aplicar golpes pela internet utilizando falsas identidades e contas bancárias de terceiros. A Operação Fake Eagle é coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul e resultou no cumprimento de sete ordens judiciais na capital mato-grossense, sendo três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.
A investigação teve início depois que uma empresa localizada em Esteio, no Rio Grande do Sul, foi alvo de uma tentativa de fraude. Uma funcionária do setor financeiro recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um número que utilizava a fotografia do diretor da empresa. Na conversa, o criminoso se passou pelo executivo e solicitou uma transferência de aproximadamente R$ 29 mil. A funcionária, porém, desconfiou da abordagem porque o pedido não seguia o padrão habitual de comunicação do diretor e não realizou a transferência.
Os criminosos haviam indicado uma conta bancária registrada em nome de uma terceira pessoa para receber o dinheiro. A partir dos dados relacionados à conta, os investigadores passaram a cruzar informações bancárias, telefônicas, telemáticas e de conexão à internet. O trabalho apontou que parte da estrutura utilizada pelo grupo estava concentrada em Cuiabá, onde foram identificados suspeitos ligados ao núcleo operacional da organização.
Segundo a investigação, o grupo utilizava contas bancárias e chaves Pix registradas em nome de terceiros, além de diferentes aparelhos celulares, endereços eletrônicos e linhas telefônicas com códigos de área de outros estados. A estratégia, conforme os investigadores, criava camadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelas abordagens e acompanhar o caminho percorrido pelos valores obtidos nas fraudes.
Um dos recursos identificados foi o uso de números com DDD 51, código associado ao Rio Grande do Sul. Uma das linhas foi utilizada diretamente na tentativa de golpe contra a empresa de Esteio, mas os dados das antenas de telefonia indicaram que o terminal estava sendo utilizado em Cuiabá. Durante a investigação, outros 14 números com o mesmo DDD foram identificados, reforçando a suspeita de que as linhas eram usadas para transmitir às vítimas gaúchas a aparência de que os contatos partiam de pessoas localizadas no próprio Estado.
A apuração também encontrou indícios de que os valores recebidos por meio das fraudes eram rapidamente transferidos entre diferentes contas. Algumas delas estariam cadastradas em nome de terceiros e eram acessadas a partir dos mesmos aparelhos e estruturas de conexão. De acordo com os investigadores, essa movimentação tinha o objetivo de dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.
Os três presos são apontados pela investigação como integrantes do núcleo responsável pela execução das atividades criminosas. Entre as funções atribuídas aos suspeitos estão o gerenciamento de contas digitais, a disponibilização de estruturas de conexão e o acesso às contas bancárias utilizadas nas fraudes. Os integrantes, segundo a apuração, também se alternavam no acompanhamento das contas enquanto aguardavam a confirmação de eventuais transferências realizadas pelas vítimas.
Além das prisões, os policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados aos investigados. As equipes procuram celulares, computadores, chips, cartões bancários, documentos, dispositivos de armazenamento e equipamentos utilizados para autenticação. O material poderá ajudar a identificar outras possíveis vítimas, novos integrantes e outros crimes relacionados ao grupo.
A operação em Cuiabá contou com a atuação da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil de Mato Grosso, em apoio à Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos da Polícia Civil gaúcha. A investigação continua e a análise dos materiais apreendidos poderá ampliar o número de envolvidos e esclarecer a extensão da atuação do grupo.
Os investigados são apurados, inicialmente, por estelionato cometido mediante fraude eletrônica, na forma tentada, e associação criminosa. Como a investigação ainda está em andamento, a Polícia Civil deverá analisar os elementos obtidos durante a operação antes de definir eventuais novos crimes, vítimas ou participantes ligados ao esquema.












