A Justiça de São Paulo manteve, nesta quinta-feira (27), a prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra e dos demais réus da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi tomada pela 3ª Vara de Presidente Prudente durante a revisão periódica da necessidade das prisões preventivas.
Deolane está presa desde 21 de maio de 2026 e permanece no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, a organização criminosa investigada era dividida em três núcleos: liderança, operacional e financeiro. De acordo com o Gaeco, Deolane seria a “principal integrante do núcleo financeiro”.
A Promotoria afirma que a influenciadora teria participado da ocultação e dissimulação de recursos de origem ilícita por meio de contas bancárias vinculadas a ela e às suas empresas. A investigação aponta ainda para a utilização de empresas de fachada e “laranjas” para dar aparência legal aos valores. Deolane nega as acusações e afirma que seus recursos são provenientes de atividades lícitas.
Na decisão que manteve as prisões, a Justiça considerou fatores como a garantia da ordem pública e econômica, a conveniência da instrução criminal, a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal e o risco de continuidade das atividades ilícitas. O fato de dois denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, continuarem foragidos também foi considerado pela acusação como argumento para a manutenção das prisões.
A defesa de Deolane recebeu a decisão com “surpresa” e classificou a manutenção da prisão preventiva como “manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional”. Os advogados reafirmaram a inocência da influenciadora e disseram que ela não possui qualquer ligação com organizações criminosas. Segundo a defesa, todas as movimentações financeiras atribuídas à cliente têm origem lícita e são relacionadas às suas atividades empresariais e aos honorários decorrentes do exercício da advocacia.
A decisão desta quinta-feira ocorre após outras tentativas da defesa de obter a liberdade da influenciadora. Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou por unanimidade um pedido de habeas corpus. O Superior Tribunal de Justiça também havia negado outro pedido e mantido a prisão preventiva em decisão de 1º de julho.
Com a nova decisão, Deolane Bezerra continua presa preventivamente enquanto o processo da Operação Vérnix segue em andamento. A manutenção da prisão não representa uma condenação definitiva: a influenciadora permanece na condição de ré e nega as acusações apresentadas pelo Ministério Público.













