As interrupções no fornecimento de energia elétrica provocadas por queimadas mais que triplicaram no Brasil em cinco anos. Levantamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), elaborado com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mostra que os registros passaram de 24.994, em 2020, para 85.674, em 2025, uma alta de 242,8%. O levantamento foi divulgado pelo Canal Solar em 17 de agosto de 2026.
Apesar do forte crescimento acumulado, o ritmo de aumento diminuiu no ano passado. Em 2025, foram contabilizadas 85.674 interrupções, 11,12% a mais que as 77.101 registradas em 2024. No período anterior, entre 2023 e 2024, o crescimento havia sido de 34,87%, indicando uma aceleração maior naquele momento.
O cenário ganha importância em agosto, início do período que concentra a maior quantidade de ocorrências. Mais da metade dos registros de 2024 e 2025 aconteceu entre agosto e outubro. Considerando os dois anos, setembro foi o mês com maior número de interrupções, com 19.674 casos, seguido por agosto, com 16.889, e outubro, com 15.443.
A preocupação também aparece em registros recentes. Em 18 de agosto, dados divulgados no Piauí apontaram 222 interrupções provocadas por queimadas, enquanto no Amazonas a Âmbar Energia informou que os incêndios florestais em Manaus aumentaram 324% e alertou para os impactos sobre a rede elétrica durante a estiagem. Os episódios mostram que o problema não se limita ao levantamento nacional e já produz efeitos concretos em diferentes regiões.
Além da interrupção do serviço, o fogo pode danificar postes, cabos e outros equipamentos da rede. A Aneel alerta que queimadas próximas às linhas de transmissão são proibidas: o Decreto nº 2.661/1998 estabelece uma faixa de segurança de 15 metros dos limites das linhas de transmissão e de 100 metros ao redor das subestações. A agência também mantém dados públicos sobre as interrupções ocorridas nas redes de distribuição do país.
Com a temporada seca de 2026 em andamento, distribuidoras e órgãos públicos reforçam os alertas para evitar incêndios próximos à infraestrutura elétrica. Até 20 de agosto, não há indicação de reversão da tendência apresentada no levantamento: o período de maior risco está apenas começando, enquanto episódios registrados nos últimos dias reforçam a necessidade de prevenção para reduzir danos à rede e interrupções no fornecimento.














