O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, e foi sentido em Manaus voltou a levantar uma pergunta entre os brasileiros: o país também corre risco de enfrentar um terremoto de grande escala? A resposta dos especialistas é que um evento de grande magnitude é possível no território brasileiro, mas não existe, neste momento, nenhuma previsão científica de que um tremor dessa proporção esteja prestes a acontecer no país.
O abalo colombiano ocorreu na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, e teve magnitude de 7,4 segundo as informações utilizadas por veículos e instituições que acompanharam o evento. A energia liberada foi suficiente para fazer com que as ondas sísmicas fossem percebidas a uma distância superior a 2 mil quilômetros, inclusive em Manaus. O fenômeno chamou atenção porque prédios e objetos chegaram a balançar na capital amazonense, mas não houve registro de vítimas relacionadas ao tremor na cidade.
O Serviço Geológico do Brasil acompanha a atividade sísmica por meio da Rede Sismográfica Brasileira. Em junho, após dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na Venezuela, o SGB também confirmou que os tremores foram sentidos em diferentes cidades brasileiras, principalmente na Região Norte. A instituição explicou que a percepção desses eventos no Brasil está relacionada à grande quantidade de energia liberada e à capacidade de propagação das ondas sísmicas.
Apesar desses episódios, não há fundamento científico para afirmar que os terremotos recentes na Venezuela e na Colômbia indiquem que o Brasil será atingido em seguida. A atividade sísmica não permite uma previsão simples baseada na sequência de eventos. Para uma previsão propriamente dita, seria necessário determinar antecipadamente onde, quando e com qual magnitude ocorreria o terremoto, algo que a ciência atualmente não consegue fazer com precisão.
O Brasil, no entanto, não está livre de terremotos. O Centro de Sismologia da USP mantém um sistema de detecção e divulgação em tempo real e registra continuamente os eventos sísmicos no território nacional e em outras áreas da América Latina. O Observatório Nacional também participa da Rede Sismográfica Brasileira, que atualmente reúne dezenas de estações para monitoramento dos tremores.
Assim, a principal conclusão diante dos terremotos registrados recentemente na América do Sul é de atenção, e não de alarme. Existe a possibilidade de um terremoto forte ocorrer no Brasil, mas os eventos registrados na Venezuela e na Colômbia não significam que um tremor de grande escala esteja a caminho. A situação reforça principalmente a importância do monitoramento permanente da atividade sísmica e da preparação para eventos que, embora menos frequentes no Brasil, não podem ser considerados impossíveis.












