A Polícia Federal aponta que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, teria recebido pagamentos de propina em um esquema investigado pela Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo a investigação, parte dos repasses era feita em dinheiro vivo, com valores transportados em malas e disfarçados por meio de códigos usados pelos envolvidos.
De acordo com o relatório da PF, os investigadores identificaram referências a entregas de valores em espécie, incluindo pacotes de R$ 50 mil e R$ 100 mil. Para evitar chamar atenção, os envolvidos utilizariam expressões como “pendrive com processo para analisar” e “encomenda” nas conversas interceptadas. A corporação afirma que os pagamentos também ocorreriam por meio de cheques e transferências via Pix.
A investigação indica que Stefanutto teria recebido repasses de uma organização suspeita de operar um esquema de descontos associativos considerados fraudulentos em benefícios do INSS. Segundo a PF, os valores teriam sido destinados a agentes públicos e intermediários para garantir facilidades e ausência de fiscalização sobre as entidades envolvidas.
O caso faz parte da Operação Sem Desconto, que avançou com investigações sobre um esquema que atingiria aposentados e pensionistas. A Polícia Federal já concluiu um dos inquéritos e indiciou Stefanutto e outros ex-dirigentes do INSS por suspeitas de corrupção e crimes relacionados às irregularidades, enquanto as defesas dos investigados contestam as acusações ou afirmam não ter acesso completo aos relatórios.
As apurações continuam para identificar todos os envolvidos, o caminho dos recursos e a eventual participação de outros integrantes na estrutura apontada pelos investigadores. A PF e os órgãos de controle seguem analisando documentos, registros financeiros e materiais apreendidos durante as fases da operação.












