Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), passou a ter repercussão nacional após apontar que cinco empresas investigadas receberam R$ 321,1 milhões da Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026. O período analisado inclui as gestões dos ex-prefeitos ACM Neto e Bruno Reis.
Segundo o levantamento divulgado com base em dados do Portal da Transparência de Salvador, as empresas receberam exatamente R$ 321.163.273,89 em pagamentos realizados pelo município ao longo de mais de uma década. A investigação apura suspeitas de possíveis fraudes em licitações, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e superfaturamento em contratos públicos.
As empresas citadas na apuração são G3 Polaris Serviços, Podium Distribuidora, LN Distribuidora e Comércio, WLSP Logística e Transportes e MP2 Construções. A G3 Polaris recebeu R$ 124,8 milhões, enquanto a Podium Distribuidora acumulou R$ 85,4 milhões. As demais empresas somaram valores de R$ 45,4 milhões, R$ 37,6 milhões e R$ 27,7 milhões, respectivamente.
A investigação do Gaeco resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e em medidas cautelares contra pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao caso. Entre as medidas determinadas pela Justiça estão afastamentos de agentes públicos, bloqueio de bens e apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e registros que podem auxiliar na apuração.
O Ministério Público aponta um prejuízo preliminar estimado em R$ 38,3 milhões, valor que não corresponde ao total pago às empresas, mas ao montante que os investigadores atribuem inicialmente às possíveis irregularidades identificadas. A investigação ainda está em andamento e deverá analisar contratos, serviços executados, pagamentos realizados e a eventual responsabilidade individual dos envolvidos.
Até o momento, não há indicação pública de que ACM Neto ou Bruno Reis sejam investigados no procedimento. Os nomes dos ex-prefeitos aparecem relacionados ao período em que os contratos foram firmados, executados ou pagos pela administração municipal. A Prefeitura de Salvador informou que acompanha o caso e deverá colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração.












