Uma prática conhecida como “vacina do sapo”, também chamada de ritual do Kambô, voltou ao centro dos debates internacionais após novos relatos de mortes e complicações associadas ao procedimento. Apesar de ser promovida por alguns adeptos como uma forma de desintoxicação física e espiritual, especialistas alertam que não há comprovação científica de seus benefícios e que a substância pode provocar graves reações no organismo.
O ritual utiliza a secreção da perereca amazônica Phyllomedusa bicolor, conhecida popularmente como sapo kambô. Durante a aplicação, pequenas queimaduras são feitas na pele para permitir que a toxina entre diretamente na corrente sanguínea. Entre os efeitos imediatos relatados estão vômitos intensos, diarreia, inchaço, tonturas, desmaios e alterações cardiovasculares.
Mesmo diante dos riscos, a prática continua atraindo celebridades, empresários e bilionários em diferentes países. Personalidades como Orlando Bloom e Will Smith já relataram publicamente experiências com o ritual. Bloom chegou a classificar o procedimento como “brutal”, em razão das fortes reações físicas provocadas pela substância, embora tenha afirmado sentir uma sensação de bem-estar após a aplicação.
O alerta mais recente ganhou repercussão após a morte do coach britânico Kristian Trend, de 40 anos, durante uma cerimônia realizada na Inglaterra. O caso se soma a outras ocorrências fatais registradas em diferentes países, incluindo a morte da cineasta mexicana Marcela Rodríguez. Segundo a reportagem, pelo menos seis mortes já foram associadas ao uso do Kambô nos últimos anos.
No Brasil, a comercialização e a publicidade do Kambô são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária desde 2004. A decisão foi tomada devido à ausência de comprovação de segurança e eficácia, além dos riscos à saúde identificados pelas autoridades sanitárias. A Anvisa considera que não existem evidências científicas capazes de validar o uso da substância como tratamento médico para qualquer doença ou condição de saúde.
Embora a prática tenha origem em tradições indígenas da Amazônia, especialistas ressaltam que seu uso em ambientes urbanos e terapêuticos alternativos cresceu sem regulamentação adequada. Atualmente, diversos países mantêm restrições ou monitoram o procedimento devido aos riscos de intoxicação, reações alérgicas graves e até morte. Enquanto isso, autoridades de saúde reforçam a recomendação para que tratamentos sem comprovação científica sejam avaliados com cautela pela população.













