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ARTIGO: Aos 61 anos de idade…

ARTIGOSAs lágrimas de agradecimento rolam no rosto. Os aplausos se misturam ao som das vozes. Sim, tiveram aplausos. Tiveram abraços. Parabéns…Rolou emoção e não foi apenas minha. Numa questão de segundos, retrocedi no tempo: Infância. Me vi menina de pés descalços, correndo livre pelos campos verdes, nas estradas de corte dos seringais, no sitio do meu avô Zé Pereira, correndo na areia fina da praia, catando ovos de gaivotas e massaricos, pegando peixe nas gamboas e nadando nas então águas límpidas do rio Tapajós, que corre soberbo em frente a comunidade onde nasci: Paraná-Miry. E foi lá, na Escola Jesus Maria José, que tive minha primeira professora: Noêmia Palma de Oliveira (hoje, amiga do facebook). Aprendi as primeiras letras e formei as primeiras palavras. Foi ali, que um dia, há alguns anos, em um dos meus retornos, olhei pra trás e disse: Ah, quero fazer um documentário deste lugarejo. Contar sua história, a minha história. Naqueles segundos fui além da infância. Minha trajetória como professora. Alunos que nunca esqueci. Minhas lembranças passaram por tantos caminhos, pessoas, lugares, situações, lutas, conquistas, fracassos, quedas, decepções, mas também de muitas alegrias e vitórias: 3 filhas e 6 netos e mesmo quando a distância se impõe entre nós, conseguimos entender os motivos. Minha mãe, mulher sábia. Meu pai que perdi no meio deste caminho. Me ensinaram lições. Minhas irmãs. Meu irmão. Genros. Família. As lembranças se misturam. A voz da minha orientadora de TCC, Profª Me. Eveline Baptstella me traz de volta ao presente. Os membros da Banca Examinadora, Profª Dra. Ana Carolina Araújo Silva e Profº Me. Gibran Luiz Lacchowski. Aos quais agradeço. Fazem suas contribuições. Novamente emoção. Falam do que conheceram de mim. Avaliam meu TCC. E lá estava eu, pensando no tudo que vivi nos últimos anos. O mercado que se torna competitivo. Da luta para trazer o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo para Alta Floresta. Dos companheiros da Comissão, que tinha o slogan: “Temos a PALAVRA. Temos a VOZ. Queremos ter VEZ: JORNALISMO JÁ!”: Dionéia Martins, Janival Oliveira, João Leite de Carvalho, Jussara Klaus, Lindomar Leal, Rogério Azevedo e Welersson Oliveira Dias. Da não obrigatoriedade do Diploma. A busca por aprendizado. Das pessoas que nos apoiaram. Das dificuldades enfrentadas. Dos muitos ofícios a políticos e instituições. Da Emenda Parlamentar. Do repasse que nunca chegou para atender às necessidades do curso. Do que a Unemat nos ofereceu. Dos professores que nos acompanharam neste caminho. Os colegas acadêmicos. Diferença de idades, mas não de objetivo. Nas lembranças, o vestibular. O primeiro dia de aula. De repente, volto ao presente. A minha orientadora de TCC anuncia a leitura da ATA DE DEFESA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO. Os últimos 4 anos estão todos ali. A voz da Profª Eveline Baptistella soa segura. Em algum momento denota emoção. Anuncia: “…Após a apresentação e as observações dos membros da Banca Examinadora, ficou definido que o trabalho foi considerado APROVADO, com a nota 10,0.”

Gratidão a Ti, DEUS. Obrigada mãe, pai (in memoriam), filhas, netos, genros. Obrigada à minha orientadora, professora Mestra Eveline Baptistella, por tudo. Por não ter me permitido enlouquecer. Obrigada a todos os professores. Obrigada, colegas. Valeu tudo o que vivemos juntos. Alguns, por certo, permanecerão mais próximos, mas todos estarão sempre presentes em minha vida. (24 / 02 / 2017)
Socorro Neves/Jornalista

Um comentário

  1. Um artigo excelentemente inteligente, correto no português e carregado da emoção necessária… Diferente da chamada imprensa de Alta Floresta. Com raras exceções, uma imprensa que deixa em dúvida se o que aconteceu, aconteceu mesmo ou não… Que mente, usando de meias palavras, a favor de quem os paga, travestindo notícias a favor de pessoas ou de grupos, e se ufana com o slogan “credibilidade é tudo”… Que não se cansa de dizer que houve “perca” da produção… Uma imprensa que não deve ser levada para as salas de aula das nossas crianças… Que a autora desse Artigo venha para melhorar uma imprensa combalida, em meio a um Mato Grosso em estado de transformação, enquanto Alta Floresta – uma ilha da fantasia nas mãos da atual administração municipal, em comunhão com uma imprensa parcial e desacreditada, se encontra em estado de penúria…

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