Virginia Fonseca entra na mira da PF após alertas de movimentações milionárias

A influenciadora e empresária Virginia Fonseca passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações consideradas atípicas em empresas ligadas ao seu nome. As informações foram reveladas pela revista Piauí e repercutiram nacionalmente nesta semana.

Segundo a reportagem, a investigação busca apurar a legalidade das operações financeiras realizadas por Virginia e empresas associadas, além da origem dos recursos movimentados. Entre as suspeitas analisadas estão possíveis irregularidades fiscais, financeiras e eventuais indícios de lavagem de dinheiro. A apuração teria sido impulsionada por Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Coaf e encaminhados às autoridades.

Um dos principais pontos analisados envolve a Talismã Digital, empresa mantida por Virginia e pelo cantor Zé Felipe. De acordo com os documentos citados pela reportagem, a companhia recebeu cerca de R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024. Desse total, aproximadamente R$ 17,7 milhões teriam sido transferidos por uma empresa enquadrada no Simples Nacional, regime tributário destinado a negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. A discrepância entre o porte da empresa e os valores movimentados chamou a atenção dos órgãos de controle.

Outra empresa mencionada é a WPink Suplementos Nutricionais. Conforme os relatórios citados pela Piauí, a companhia registrou movimentações de R$ 43,6 milhões em créditos e R$ 43,5 milhões em débitos apenas entre janeiro e março de 2025. O volume financeiro foi classificado como incompatível com o faturamento informado pela empresa, o que motivou comunicações ao Coaf por instituições financeiras.

A investigação também alcança a WePink Cosméticos, uma das marcas mais conhecidas da influenciadora. Relatórios apontam que foram identificadas 190 operações consideradas suspeitas, somando cerca de R$ 500 mil, realizadas em diferentes caixas eletrônicos entre novembro de 2023 e maio de 2024. Essas movimentações passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades.

Outro aspecto destacado pela reportagem envolve a origem da WePink. Segundo a publicação, a empresa surgiu a partir da Pink Lash, rede de estética criada pelos empresários Samara Martins e Thiago Stabile. A matéria menciona que uma das sócias da empresa original era Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”, viúva de um integrante da facção criminosa paulista. A investigação busca esclarecer se existe alguma relação financeira ou societária relevante entre os negócios atuais e a estrutura empresarial anterior.

Virginia Fonseca já havia sido citada durante a CPI das Bets, que investigou o mercado de apostas esportivas e a atuação de influenciadores digitais na promoção dessas plataformas. Embora o pedido de indiciamento da influenciadora não tenha sido aprovado pela comissão, os relatórios financeiros produzidos durante os trabalhos acabaram servindo de base para novas análises dos órgãos de investigação.

Por meio de sua assessoria e de manifestações públicas anteriores, Virginia tem afirmado que seus negócios são legais, auditados e regularmente declarados aos órgãos competentes. A influenciadora sustenta que o crescimento de suas empresas é resultado de atividades empresariais legítimas e que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários às autoridades. Até o momento, não há acusação formal nem condenação contra ela.

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