Histórico: Pílula contra o câncer de pâncreas recebe ovação de pé na ASCO e dobra sobrevida de pacientes

O cenário da oncologia mundial foi transformado em 1º de junho de 2026, durante o congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago. O estudo de fase 3 RASolute 302 revelou que o medicamento oral daraxonrasib conseguiu dobrar a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático, um feito recebido com uma ovação de pé de 42 segundos e lágrimas entre os especialistas presentes. A terapia foca na proteína RAS, um “interruptor” genético que impulsiona o crescimento do tumor em mais de 90% dos casos e que foi considerado “intratável” pela ciência por décadas.

Resultados que mudam a prática médica Os dados finais do estudo, publicados simultaneamente no The New England Journal of Medicine, mostraram que a sobrevida mediana saltou de 6,7 meses com a quimioterapia convencional para 13,2 meses com o uso do daraxonrasib. O risco de morte foi reduzido em 60%, e a taxa de resposta objetiva (redução do tumor) triplicou, atingindo cerca de 33% dos pacientes, contra apenas 11% no grupo da quimioterapia. O benefício foi observado de forma consistente em diversas variantes da mutação RAS (como G12D, G12V e G12R) e até mesmo em pacientes sem mutações identificadas.

Avanço na qualidade de vida e segurança Além de viverem mais, os pacientes apresentaram melhoras significativas na dor e no estado geral de saúde. Embora o medicamento cause efeitos colaterais como erupções cutâneas (rash), estomatite e diarreia, eles foram considerados manejáveis com o uso de protetor solar, antibióticos como a doxiciclina e cremes esteroides. Um ponto crucial foi a baixa taxa de interrupção do tratamento por toxicidade: apenas 1,2% dos que usaram a pílula desistiram devido aos efeitos colaterais, comparado a 11,2% no grupo da quimioterapia.

Novidades regulatórias e acesso imediato A grande novidade para os pacientes é a agilidade no acesso. Em maio de 2026, o FDA (órgão regulador dos EUA) emitiu uma carta de “seguro para prosseguir”, permitindo um Programa de Acesso Expandido (EAP) que possibilita que pacientes elegíveis iniciem o tratamento mesmo antes da aprovação comercial final. Além disso, a fabricante Revolution Medicines utilizará um Voucher de Prioridade Nacional, o que deve reduzir o tempo de revisão regulatória de 10 meses para apenas 1 ou 2 meses.

O “Grand Slam” da oncologia Líderes da comunidade médica, como a Dra. Anna Berkenblit, do PanCAN, descreveram os resultados como “de cair o queixo” e o avanço mais significativo já visto para a doença. Julie Gralow, diretora médica da ASCO, classificou a descoberta não apenas como um home run, mas como um “grand slam” para pacientes e investigadores. Com o sucesso na segunda linha de tratamento, novos estudos (como o RASolute 303) já estão testando o uso do daraxonrasib como primeira opção terapêutica e em contextos pós-cirúrgicos para buscar a cura definitiva.

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