O mundo deve se preparar para enfrentar meses de eventos climáticos extremos devido ao retorno iminente do fenômeno El Niño. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU, e agências nacionais como o INMET, existe uma probabilidade de 80% a 90% de que o fenômeno se estabeleça entre junho e agosto de 2026. O alerta é tratado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como um “alerta climático urgente”, alertando que as condições do El Niño devem “jogar combustível no fogo” de um planeta já em processo de aquecimento recorde.
O “combustível” do fenômeno: águas 6 °C acima da média Embora os modelos climáticos ainda apresentem alguma incerteza sobre o pico de intensidade, a maioria aponta para um evento de intensidade moderada a forte. Os sinais precursores são alarmantes: observações indicam que as águas subsuperficiais no Pacífico Equatorial estão com temperaturas excepcionalmente elevadas, chegando a superar em mais de 6 °C as médias sazonais. Esse reservatório de calor é o que alimenta o aquecimento observado na superfície e sinaliza um impacto global potencialmente devastador.
Os impactos esperados nas regiões do Brasil No Brasil, o El Niño é conhecido por provocar efeitos opostos e acentuados entre o Norte e o Sul do país:
- Norte e Nordeste: A previsão é de uma seca severa, com redução drástica dos níveis dos rios na Amazônia e aumento do risco de incêndios florestais. No Nordeste, a falta de chuvas pode comprometer a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de água.
- Região Sul: O cenário é de chuvas torrenciais e volumes muito acima da média, o que aumenta significativamente o risco de enchentes e deslizamentos.
- Sudeste e Centro-Oeste: O impacto principal será o aumento das temperaturas, com ondas de calor mais frequentes. No Sudeste, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro devem ficar em alerta para chuvas intensas e deslizamentos.
Prejuízos no campo: o desafio para a agricultura A agricultura brasileira será um dos setores mais sensíveis. Dados do INMET e da CONAB indicam que o excesso de umidade no Sul pode reduzir a produtividade de culturas de inverno, como trigo e aveia, com probabilidades de colheitas abaixo da média chegando a 80% no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já no Norte e Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas pode prejudicar o plantio da safra de verão, como soja e milho.
A hora da preparação é agora A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destaca que a ciência é clara e que as instituições brasileiras possuem forte capacidade de resposta, mas reforça que é difícil se preparar para algo que está “fora das estatísticas”. O foco agora deve ser em sistemas de alerta precoce e planejamento para proteger vidas e a infraestrutura econômica diante de um cenário que pode se estender até o início de 2027.













