E não é que tinha Triplex: PF investiga compra de triplex de R$ 22 milhões por Ciro

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal após a compra de uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões em um dos endereços mais valorizados de São Paulo. O imóvel, com 514 metros quadrados, fica na Rua Oscar Freire e foi adquirido em julho de 2024, poucos dias antes da apresentação da chamada “Emenda Master” no Senado Federal.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, a negociação ocorreu três meses após Ciro Nogueira se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Apenas 26 dias depois da compra do imóvel, o senador apresentou a emenda nº 11 à PEC 65/2023, proposta que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por investidor, medida considerada favorável ao banco.

A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, cuja quinta fase foi deflagrada pela Polícia Federal em 7 de maio de 2026. Os investigadores apuram suspeitas de que Ciro Nogueira teria recebido vantagens indevidas de Daniel Vorcaro em troca de atuação política em benefício do Banco Master. Entre os possíveis benefícios analisados estão uma suposta mesada que variaria entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, além do custeio de viagens de luxo, uso de imóvel e cartão de crédito.

De acordo com a PF, o texto da chamada “Emenda Master” teria sido elaborado por integrantes da assessoria do próprio banco. A proposta, conforme apontam as investigações, foi impressa e entregue pessoalmente ao senador em um envelope. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram Daniel Vorcaro comemorando a apresentação da emenda com a frase: “saiu exatamente como mandei”.

Ao Metrópoles, Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que a compra do triplex foi realizada de maneira legítima, envolvendo a entrega de outro apartamento no mesmo prédio, avaliado em aproximadamente R$ 8 milhões, além do pagamento parcelado da diferença restante. Ele também declarou que mantém com Vorcaro apenas uma relação empresarial e política.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Até o momento, não há denúncia formal apresentada à Justiça nem condenação contra os envolvidos. O episódio, no entanto, ampliou a repercussão política em torno da relação entre parlamentares e instituições financeiras em Brasília.

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