Indignação e repúdio na UFMT: Alunos de Direito planejam “lista de alunas estupráveis” e geram investigação interna e do MP

Uma grave denúncia de misoginia e incitação à violência sexual abalou a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) nesta semana. Estudantes da Faculdade de Direito, campus Cuiabá, foram flagrados em conversas de aplicativo de mensagens planejando criar um “ranking de alunas mais estupráveis” de diversos cursos da instituição.

Prints das conversas, obtidos e divulgados pela imprensa local, mostram mensagens explícitas como: “Bora dps fazer ranking de alunas mais estupráveis dos nossos curros [sic]” e comentários sobre a quantidade de mulheres em determinados cursos, incluindo observações misóginas sobre alunas de Engenharia. O conteúdo, de extrema violência e objetificação, gerou revolta imediata entre estudantes, entidades acadêmicas e a sociedade mato-grossense.

Medidas adotadas pela UFMTA direção da Faculdade de Direito agiu com rapidez. Na quarta-feira (6 de maio), a universidade:

  • Instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra os envolvidos.
  • Determinou o afastamento preventivo de pelo menos um estudante, calouro do 1º semestre de Direito.
  • Reforçou medidas de proteção às alunas potencialmente citadas.

Em nota oficial, a UFMT repudiou “veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos”. A instituição reforçou seu compromisso com um ambiente seguro e inclusivo, e informou que colaborará com as autoridades externas.

Repercussão política e institucional

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), manifestou forte indignação durante sessão plenária. Russi classificou o caso como “um absurdo” e “inaceitável”, questionando: “Vocês imaginam abrir um site de notícias e ler que estudantes da UFMT, um ambiente de ensino, de formação de futuros profissionais, criaram uma lista de alunas ‘estupráveis’?”.

Ele anunciou que a ALMT, por meio da Procuradoria da Mulher, acompanhará as investigações e cobrará punição rigorosa.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT) também abriu investigação para apurar possível prática de crimes como ameaça, incitação à violência e associação criminosa. Até o momento, não há registro formal na Polícia Civil, mas as entidades estudantis (Centro Acadêmico de Direito – CADI e Diretório Central dos Estudantes – DCE) pressionam por medidas mais amplas.

Contexto e reações da comunidade acadêmica

O caso veio à tona após o vazamento das mensagens na última terça-feira (5). O CADI e o DCE divulgaram notas de repúdio enérgicas, classificando o conteúdo como incentivo explícito à violência sexual e expressão de uma “cultura do estupro”. Movimentos feministas e a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ-MT) também emitiram notas de repúdio.

A Faculdade de Direito da UFMT é uma das mais tradicionais de Mato Grosso, com alto nível de concorrência no Enem. O episódio gerou protestos internos e debates sobre machismo, formação ética de futuros advogados e a necessidade de educação contra a violência de gênero nas universidades.

Até o fechamento desta reportagem, os nomes dos envolvidos não foram divulgados publicamente, respeitando o processo administrativo em curso. A expulsão definitiva só pode ocorrer após a conclusão do PAD, que costuma durar cerca de 60 dias, com possibilidade de recurso.

O caso segue em apuração tanto na esfera universitária quanto nas instâncias policiais e ministeriais.

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