PF diz que Vorcaro bancava despesas pessoais de Ciro Nogueira

A Polícia Federal apontou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, custeava despesas pessoais do senador Ciro Nogueira, incluindo pagamentos de cartões de crédito, contas em restaurantes de luxo e viagens internacionais. As informações aparecem na representação que serviu de base para a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026.

Segundo a PF, Ciro Nogueira seria o “destinatário central” das vantagens indevidas oferecidas por Vorcaro em troca de apoio político e atuação parlamentar favorável aos interesses do Banco Master. Os investigadores afirmam que os elementos reunidos indicam uma relação que “ultrapassa a mera amizade” entre o senador e o empresário, atualmente preso e em negociação de delação premiada.

Entre as provas analisadas estão diálogos interceptados pela Polícia Federal envolvendo operadores ligados a Vorcaro. Em uma das mensagens citadas na investigação, um interlocutor identificado como Léo Serrano pergunta: “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”. Em seguida, Vorcaro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”. A PF sustenta que as conversas demonstram o pagamento recorrente de despesas pessoais do senador e de pessoas próximas.

As investigações também apontam para repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do custeio de hospedagens em hotéis de luxo, viagens internacionais, voos privados e outras despesas pessoais. Entre os locais citados pela PF está o hotel Park Hyatt New York. Outro ponto destacado envolve a aquisição de participação societária por valor muito abaixo do mercado. Segundo a apuração, Ciro teria comprado ações avaliadas em cerca de R$ 13 milhões por aproximadamente R$ 1 milhão.

Em outro trecho das conversas obtidas pelos investigadores, Vorcaro aparece cobrando atraso em pagamentos ligados ao senador. “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”, escreveu o banqueiro. Na sequência, o operador questiona se o valor mensal voltaria ao patamar de R$ 500 mil ou seria reduzido para R$ 300 mil.

A Polícia Federal também sustenta que uma emenda parlamentar apresentada por Ciro Nogueira envolvendo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido elaborada diretamente por integrantes do Banco Master. O texto propunha elevar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo a investigação, o documento foi entregue ao senador em envelope e reproduzido integralmente. Executivos do banco avaliavam internamente que a mudança poderia multiplicar os negócios da instituição e provocar forte impacto no sistema financeiro.

A quinta fase da Operação Compliance Zero cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária, além de determinar o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A defesa de Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou que o senador irá colaborar com as investigações, criticando medidas consideradas “graves e invasivas” baseadas apenas em trocas de mensagens.

O caso segue em rápida evolução e a expectativa da Polícia Federal é que a análise do material apreendido nesta nova fase da operação ajude a aprofundar as suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e seus aliados.

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