As terras raras brasileiras continuam atraindo forte interesse de investidores estrangeiros. Menos de dez dias após o anúncio da aquisição bilionária da Serra Verde (GO) pela americana USA Rare Earth, a mineradora australiana Oceana fechou acordo para comprar 100% do projeto Serra Negra, localizado em Minas Gerais, que possui potencial tanto para terras raras quanto para nióbio.
A transação envolve um pagamento inicial de US$ 2,95 milhões em dinheiro e aproximadamente US$ 5 milhões em ações da Oceana, empresa listada na Bolsa da Austrália com valor de mercado de cerca de AU$ 94 milhões. O acordo prevê ainda pagamentos contingentes de até US$ 2,25 milhões, condicionados ao avanço na confirmação de reservas, além de royalties de 2,5% sobre a receita líquida futura da produção.
O projeto Serra Negra ainda está em fase inicial de exploração. Levantamentos preliminares indicam a presença de terras raras e nióbio, mas não há reservas confirmadas até o momento, pois as campanhas anteriores de perfuração não tinham esses minerais como foco principal. A Oceana planeja realizar novos estudos para avaliar o potencial real do ativo.
A localização é considerada estratégica: o projeto fica em uma região classificada como “tier-one” (de primeira linha), próxima à reserva de nióbio de Araxá, a maior do mundo, controlada pela CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, da família Moreira Salles), e também próximo ao projeto de terras raras e nióbio da St George Mining.
A aquisição foi financiada por meio de emissão de ações, com forte ancoragem de investidores institucionais. A Oceana, que já possui projetos de lítio no Ceará e na Austrália, vê o Serra Negra como uma oportunidade relevante dentro da carteira de metais críticos.
O movimento da Oceana reforça o crescente interesse internacional pelo setor de minerais estratégicos no Brasil, essenciais para a transição energética, produção de ímãs permanentes, eletrônicos e tecnologias de defesa. No entanto, o tema tem gerado debate político, como visto na recente ação protocolada no STF contra a venda da Serra Verde para a empresa americana.
Advogados especializados consultados pelo portal “Brazil Journal”, utilizado de base para esta reportagem, afirmam que não existe base jurídica sólida para bloquear operações desse tipo, especialmente porque o controle anterior da Serra Verde já era de fundos americanos.
A transação ainda depende de aprovações regulatórias e deve avançar nos próximos meses.












