A Justiça de Santos, no litoral paulista, tornou réu o radialista e narrador esportivo George Antonio Lunardi, 64, acusado de tentativa de feminicídio qualificado. Segundo a denúncia, ele teria mandado uma mulher atirar na ex-companheira, de 27 anos, que foi baleada nas costas e ficou paraplégica.
A suposta autora dos disparos, Elisabete Cristina Matias dos Santos, 33, também virou ré. Ela está foragida junto com a filha de 15 anos, que a acompanhou no crime.
O ataque ocorreu em 3 de setembro, no bairro Bom Retiro. De acordo com o g1, a vítima relatou à polícia que era ameaçada de morte por George e já havia sido chantageada com vídeos íntimos gravados em casas de swing. Ela o denunciou três vezes após o fim do relacionamento.
Segundo o boletim de ocorrência, Elisabete efetuou cinco disparos, atingindo a jovem pelas costas. A vítima passou quase dois meses internada na UTI da Santa Casa de Santos antes de receber alta. A paraplegia é resultado da lesão que comprometeu os movimentos e a sensibilidade da metade inferior do corpo.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou George e Elisabete por tentativa de feminicídio qualificado, corrupção de menores e violação de medida protetiva. O juiz Alexandre Betini, da Vara do Júri e Execuções, aceitou a denúncia e manteve a prisão preventiva dos acusados.
Para o magistrado, o crime possui “tamanha crueldade” e demonstra “periculosidade concreta” dos envolvidos, que teriam armado uma emboscada e poderiam fugir se libertados.
As investigações apontam que George contratou Elisabete e a adolescente para executar o crime. Ele teria levado as duas de carro até a academia frequentada pela ex. Elas aguardaram na esquina da Avenida Jovino de Melo com a Rua Cecília Meirelles. Vídeos mostram o momento em que Elisabete intimida a vítima — “Vai tomar uns pipocos agora” — antes de atirar pelas costas às 22h37, seguido de outros quatro disparos.
Defesa contesta acusações
A defesa de George, representada pelo advogado Tércio Neves Almeida, declarou solidariedade à vítima, mas afirmou que ainda não teve acesso a laudos periciais e imagens de câmeras. Disse também que as acusações têm “caráter hipotético” e se baseiam em relatos colhidos sem a presença da defesa.
O advogado afirmou que a ausência de Elisabete cria uma “lacuna” na investigação e pediu prudência antes de conclusões definitivas, defendendo que todas as provas sejam analisadas e confrontadas.
George Lunardi é conhecido na Baixada Santista por sua atuação como radialista e narrador esportivo.
Com G1












