O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou a autorização que permitiria a visita de um assessor do governo do presidente Donald Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão no Complexo da Papuda, em Brasília. A decisão foi tomada após manifestações do governo brasileiro sobre a natureza da viagem do representante norte-americano.
O visitante seria Darren Beattie, nomeado para atuar em temas ligados à política dos Estados Unidos para o Brasil. Inicialmente, o encontro havia sido autorizado pelo próprio Moraes, a pedido da defesa de Bolsonaro, que solicitou a realização da visita entre os dias 16 e 17 de março. No entanto, a autorização acabou sendo revertida antes de ocorrer.
A mudança ocorreu depois que o Ministério das Relações Exteriores informou ao STF que o visto concedido ao assessor americano tinha como objetivo a participação em compromissos oficiais, entre eles um fórum sobre minerais críticos marcado para São Paulo. Segundo o Itamaraty, a visita ao ex-presidente não fazia parte da agenda diplomática apresentada quando o pedido de entrada no Brasil foi feito.
O chanceler Mauro Vieira afirmou ao Supremo que um encontro desse tipo poderia ser interpretado como ingerência em assuntos internos do país, especialmente por envolver um representante de governo estrangeiro e um ex-presidente condenado. Diante dessas informações, Moraes concluiu que a visita não se enquadrava no contexto diplomático que justificou o visto concedido ao assessor norte-americano.
Bolsonaro, que governou o Brasil entre 2019 e 2022, cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação por tentativa de golpe de Estado. Ele está detido em uma sala de Estado-Maior no complexo penitenciário da Papuda, na capital federal, enquanto continua sendo alvo de desdobramentos judiciais relacionados ao caso.












