Oposição vê “operação abafa” contra CPMI do Banco Master

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A oposição avalia que há uma articulação em curso no Congresso para impedir que a CPMI do Banco Master seja instalada, em um movimento classificado por parlamentares como uma “operação abafa”, que envolveria negociações políticas de alto nível e troca de apoios em votações sensíveis.

No centro dessa leitura está a possibilidade de derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que reduz penas aplicadas a Jair Bolsonaro e a outros condenados por tentativa de golpe de Estado. Para integrantes da oposição, esse tema pode ser usado como moeda de troca para engavetar a comissão parlamentar mista de inquérito.

O requerimento para criação da CPMI foi protocolado nesta terça feira, com 281 assinaturas de deputados e senadores, sob a liderança do deputado Carlos Jordy. O número supera com folga o mínimo exigido pela Constituição, de um terço dos membros da Câmara e do Senado, o que, em tese, torna obrigatória a instalação da comissão, desde que haja fato determinado e prazo definido.

Apesar disso, a abertura dos trabalhos depende do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, que ainda não marcou a sessão destinada à leitura do requerimento. Aliados do senador afirmam que a convocação só deve ocorrer em março, enquanto parlamentares enxergam uma estratégia de adiamento para evitar tanto a instalação da CPMI quanto a votação do veto presidencial.

A avaliação predominante entre congressistas da oposição é que Alcolumbre pode retardar o processo, mas não impedir definitivamente a criação da comissão, a exemplo do que ocorreu em outras CPIs recentes. Ainda assim, há o entendimento de que, no caso do Banco Master, o Supremo Tribunal Federal não demonstraria interesse em fazer valer a jurisprudência que obriga a instalação.

Jordy afirma que governistas adotam um “jogo de cena” ao apoiar pedidos alternativos de investigação, como CPIs restritas ou requerimentos apresentados por parlamentares da esquerda, o que, segundo ele, serviria para manter a CPMI principal fora da pauta. O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou que seguirá a fila de pedidos, atualmente com cerca de 15 requerimentos, o que na prática inviabiliza novas comissões.

O Banco Master entrou no centro do debate político após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, quando a Polícia Federal passou a investigar fraudes financeiras e uma tentativa de venda da instituição ao BRB. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação do banco. Seu controlador, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso e hoje cumpre medidas cautelares, sendo apontado como empresário com amplo trânsito entre autoridades dos Três Poderes.

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