A decisão de parlamentares ligados ao bolsonarismo de não assinar o requerimento para a criação da CPMI do Banco Master foi motivada por cálculos políticos individuais e acordos internos, e não por oposição ao conteúdo da investigação ou por divergência com a base conservadora no Congresso.
O pedido de abertura da comissão parlamentar mista de inquérito alcançou o número mínimo de assinaturas necessárias para ser protocolado, reunindo apoio expressivo de deputados e senadores. Ainda assim, chamou atenção a ausência de nomes alinhados ao ex presidente Jair Bolsonaro, entre eles o deputado Altineu Cortes e o senador Bruno Bonetti.
No caso de Altineu Cortes, a avaliação nos bastidores é de que a recusa em subscrever o requerimento está ligada a planos pessoais e institucionais. O parlamentar busca viabilizar uma futura indicação ao Tribunal de Contas da União, o que exige trânsito político amplo e apoio de diferentes bancadas, inclusive de grupos que veem a CPMI com reservas.
Já o senador Bruno Bonetti, suplente de Romário, optou por não assinar o pedido em razão de um acordo político que garante sua permanência no mandato. O compromisso pressupõe alinhamento com as decisões do titular, que não endossou a iniciativa da comissão naquele momento.
Apesar das ausências, aliados do bolsonarismo afirmam que não há resistência ao mérito da investigação. A CPMI do Master pretende apurar supostas irregularidades financeiras envolvendo a instituição, incluindo suspeitas de prejuízos bilionários e tentativas de transferência de passivos para bancos públicos.
A leitura do requerimento em sessão do Congresso ainda depende da presidência da Casa, e a instalação da comissão segue cercada de disputas políticas. Mesmo assim, lideranças avaliam que a investigação deve avançar, independentemente da participação formal de todos os grupos ideológicos.












