A delegada da Polícia Civil Jannira Laranjeira, que atua no enfrentamento à violência contra a mulher em Cuiabá, denunciou ter recebido mensagens privadas de intimidação após compartilhar, em suas redes sociais, uma notícia sobre a prisão preventiva de um investigador acusado de estupro. O relato foi feito pela própria delegada em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram nesta segunda-feira.
Segundo Jannira, as mensagens tinham caráter intimidatório e buscavam desqualificar seu posicionamento público, transformando a defesa da investigação e da responsabilização criminal em ataques pessoais. No vídeo, ela afirma que não fez acusações individuais nem atacou colegas de profissão, ressaltando que se manifestou como mulher, cidadã e profissional que atua há anos no combate à violência contra a mulher.
O caso citado pela delegada envolve o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, lotado na Delegacia de Sorriso, município localizado a cerca de 398 quilômetros de Cuiabá. Ele é investigado por estupro contra uma mulher que estava presa na própria unidade policial. A prisão preventiva foi cumprida no domingo, após decisão do juízo da comarca de Sorriso, com base nas diligências conduzidas pela própria Polícia Civil.
De acordo com a instituição, um inquérito policial foi instaurado imediatamente após o recebimento da denúncia. Com os indícios reunidos durante a apuração, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do servidor, pedido que foi acatado pela Justiça. O investigado foi preso em sua residência, no bairro Jardim Aurora, onde também foram recolhidos seus pertences funcionais, incluindo arma de fogo e munições.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso e aguarda o recebimento dos autos do inquérito para adoção das providências legais cabíveis. Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso afirmou que atua de forma transparente diante de denúncias envolvendo seus servidores e reforçou que não tolera desvios de conduta, garantindo que todas as ocorrências são apuradas com rigor.
No vídeo publicado, a delegada Jannira Laranjeira reiterou que sua manifestação pública teve como objetivo defender a legalidade, a investigação dos fatos e a responsabilização criminal, destacando a importância de não silenciar diante de casos de violência, especialmente quando envolvem mulheres em situação de vulnerabilidade.












