Um estudo publicado em agosto na revista PNAS indica que nenhuma geração nascida entre 1939 e 2000 deve alcançar a média de 100 anos de idade. A pesquisa, feita com base em dados de 23 países de alta renda, mostra que a expectativa de vida continua aumentando, e até pode avançar nos próximos anos, mas de forma mais lenta do que se previa no século passado. O resultado contraria a ideia de que os avanços na medicina e na qualidade de vida levariam rapidamente a humanidade ao patamar dos centenários.
Os cientistas analisaram séries históricas de mortalidade e aplicaram seis métodos estatísticos para prever tendências de longevidade. Conforme os resultados, o ganho anual de expectativa de vida está diminuindo nos países mais desenvolvidos. Em 1900, a média de vida era de 62 anos. Antes da Segunda Guerra Mundial, esse número já havia saltado para 80 anos. Desde então, o ritmo de crescimento desacelerou e hoje está entre 85 e 90 anos. Se a velocidade de aumento observada no início do século 20 tivesse se mantido, pessoas nascidas nos anos 1980 deveriam viver, em média, até 100 anos, algo que não deve se concretizar.
Para especialistas, o principal motor daquele crescimento acelerado foi a queda brusca na mortalidade infantil, graças ao acesso mais amplo a saúde, saneamento e medicamentos. Em entrevista ao portal VivaBem, a geriatra Erika Satomi, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que muitos países avaliados no estudo já atingiram o limite desses benefícios, reduzindo o potencial de novos saltos na expectativa de vida. Ela ressalta, porém, que o cenário brasileiro é diferente, porque o país ainda tem espaço para ampliar serviços básicos e diminuir desigualdades.
Segundo a médica, a pesquisa serve como um “direcionamento” para orientar investimentos em saúde pública e políticas voltadas a garantir bem-estar na velhice. Mas, diante das diferenças sociais e estruturais entre o Brasil e os países ricos avaliados, os dados devem ser interpretados com cautela. Para ela, avanços no acesso à saúde, no saneamento e na prevenção de doenças ainda podem elevar a expectativa de vida brasileira nas próximas décadas, mesmo que o ritmo global de crescimento esteja menor.












