Em meio a uma grave crise financeira, os Correios decidiram não conceder o crédito extra de fim de ano, conhecido como “vale-peru”, a seus empregados em 2025. O benefício, que no ano passado chegou a R$ 2.500 por funcionário, é parte das negociações do acordo coletivo e foi vetado diante da escassez de recursos e da necessidade de reestruturação da estatal.
Decisão e comunicação aos trabalhadores
O comando da empresa comunicou a suspensão do “vale-peru” aos funcionários. O acordo coletivo de trabalho foi prorrogado até 15 de dezembro, com exceção da cláusula que previa o benefício. Em 2024, o valor pago ao conjunto de empregados totalizou cerca de R$ 200 milhões, distribuído em duas parcelas.
Plano de reestruturação e necessidade de empréstimo
Os Correios precisam de R$ 20 bilhões até o fim de 2026 para cobrir dívidas, implementar novo PDV com desligamento de cerca de 10 mil empregados e reformular cargos, salários e plano de saúde. Para isso, a estatal negocia um empréstimo com bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional, embora a proposta inicial tenha sido rejeitada devido à alta taxa de juros.
Prejuízos e risco de agravamento da crise
A empresa acumula prejuízos desde 2022, com rombo de R$ 6,1 bilhões até setembro de 2025. Estimativas internas apontam que o prejuízo ao final deste ano pode chegar a R$ 10 bilhões e, sem recursos adicionais, a R$ 20 bilhões em 2026. Cenário extremo projeta até R$ 70 bilhões em cinco anos, com risco de falência e necessidade de demissões.
Fatores que explicam a crise
- Concorrência: fim do monopólio nas encomendas em 2009 reduziu receita frente a empresas privadas.
- Taxa das blusinhas: impostos sobre encomendas internacionais afetaram receita da estatal.
- Despesas crescentes: reajustes salariais, pagamento de benefícios e concursos ampliaram custos.
- Redução de caixa: investimentos em veículos elétricos e tecnologia consumiram recursos próprios.
- Plano de saúde: gestão de risco e dívidas impactam o orçamento da empresa.
- Ações judiciais: falta de diagnóstico preciso sobre processos trabalhistas e precatórios afetou balanços.












