Gaeco prende engenheiros e investiga esquema de propina em Sinop

A segunda fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) nesta quarta-feira (28 de outubro), em Sinop, a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá, resultou na prisão preventiva de cinco pessoas e no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra servidores públicos, engenheiros, arquitetos e empresários. A investigação apura suspeitas de corrupção em procedimentos relacionados a obras e empreendimentos imobiliários no município, com fatos que teriam ocorrido entre 2017 e 2026.

Entre os alvos de prisão estão os engenheiros civis Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, o fiscal de obras Valdinei Monteiro da Silva, o servidor Agnaldo Rael da Silva e a empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, sócia-administradora da DNishi Empreendimentos Imobiliários Ltda. Valdinei já havia sido alvo da primeira fase da operação, realizada em julho de 2026, quando as autoridades investigavam suspeitas de cobrança de propina para facilitar a tramitação e a aprovação de projetos na administração municipal.

A lista de pessoas atingidas pelas medidas judiciais também inclui servidores, profissionais da construção civil e empresários. Entre os nomes mencionados nas reportagens estão Antônio Benedito Rodrigues, Bruna Maia de Freitas, Grazielly Stolarski Lima, também identificada como Grazielly Stolarski Martins, Samuel de Sousa Vieira, Charles Correia da Costa, Danielle da Silva Otaviano Garcia, Felipe Gabriel Russo, Júlio Henrique Verdu Garcia Júnior, Laércio Ronei Schorr e Roni de Souza. A empresa DNishi Empreendimentos Imobiliários também foi incluída nas medidas de busca e apreensão.

Segundo informações divulgadas pela imprensa com base nas investigações, as suspeitas envolvem a exigência e o pagamento de vantagens indevidas para acelerar processos administrativos, obter pareceres técnicos favoráveis, aprovar ou regularizar projetos imobiliários e conseguir licenças e certificados. Os investigadores também apuram possíveis interferências em fiscalizações de obras e procedimentos ligados à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop.

Durante a operação, foram apreendidos R$ 302 mil em dinheiro na residência de um empresário, conforme informações divulgadas pelo portal Só Notícias. As equipes também recolheram seis veículos de luxo, avaliados em pouco mais de R$ 6 milhões, entre eles dois BYD Seal pretos, um BYD Song Plus preto, um Chevrolet Corvette vermelho, um Audi TT-RS verde e um Toyota GR Supra vermelho. Os materiais serão analisados para verificar eventual relação com os fatos investigados.

Além das cinco prisões preventivas e dos 17 mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou o afastamento cautelar de seis servidores públicos e o bloqueio de R$ 80 milhões em bens e valores vinculados a investigados e a uma empresa. Também foram autorizadas medidas patrimoniais, incluindo o sequestro de imóveis e ativos financeiros, para impedir a transferência de recursos que possam estar relacionados às irregularidades e preservar eventual ressarcimento aos cofres públicos.

A investigação busca esclarecer se agentes públicos e empresários atuaram conjuntamente para favorecer empreendimentos privados mediante pagamentos ilegais. Até o momento, as informações divulgadas apontam suspeitas sob apuração, e não uma condenação definitiva. Os investigados têm direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa. O material apreendido e os documentos recolhidos deverão contribuir para o aprofundamento das diligências e para a identificação das responsabilidades individuais.

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