A campanha “Vovó Vota” está mobilizando mulheres idosas e suas famílias para incentivar a participação nas eleições de 2026 e reduzir a abstenção no segundo turno, marcado para domingo (25 de outubro). A iniciativa é promovida pelo Movimento Voto 70+, apartidário, e busca aproximar avós e netas, além de ajudar eleitoras a superar dificuldades que impedem o comparecimento às urnas. A mobilização ganhou destaque em reportagem publicada pelo Amazonas1 na quarta-feira (21), com informações da Agência Brasil.
Um dos exemplos apresentados é o de Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, quebradeira de coco babaçu que vive na comunidade rural de Ludovico, em Lago do Junco, no Maranhão, a cerca de 300 quilômetros de São Luís. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, ela caminhou aproximadamente 600 metros para votar. Além de participar das eleições, Maria Alaídes procura conscientizar outras mulheres de sua região sobre a importância do voto e da participação popular na conquista e manutenção de direitos.
O movimento destaca que o eleitorado com 70 anos ou mais reúne milhões de brasileiros e apresenta índices elevados de abstenção, apesar de o voto ser facultativo nessa faixa etária. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo Voto 70+, o percentual de eleitores com mais de 70 anos que não compareceram às urnas caiu de 58,8%, em 2022, para 49,1% no primeiro turno de 2026. O grupo ultrapassou 17 milhões de pessoas aptas a votar neste ano, ampliando a relevância da participação dessa parcela da população no processo democrático.
A campanha também procura enfrentar obstáculos práticos, como a distância entre a residência e o local de votação, a necessidade de transporte, as limitações de mobilidade e a falta de apoio familiar. A pesquisadora Adriana de Queiroz identificou diferentes razões para a ausência dos eleitores idosos, incluindo a percepção de que o voto não faz diferença e as dificuldades físicas para chegar às seções eleitorais. Para o movimento, compreender essas barreiras é essencial para desenvolver estratégias que respeitem a autonomia das pessoas idosas e facilitem sua participação.
Outra história é a de Maria Albino Costa, de 85 anos, moradora de Orizona, em Goiás, que não votou no primeiro turno por considerar complicado acompanhar a quantidade de números e candidatos. Para a segunda etapa, porém, ela decidiu comparecer, já que a votação será concentrada apenas nos cargos em disputa no segundo turno. A aposentada pretende ir acompanhada da filha e da neta, reforçando a proposta da campanha de transformar o apoio familiar em incentivo à participação eleitoral.
A mobilização também aborda o medo da violência e o desconforto com o ambiente de conflito político. Maria José Cantarelli, professora aposentada de 80 anos que mora em Olinda, Pernambuco, estava afastada das eleições havia 12 anos. Após conversar com os filhos e a neta, decidiu voltar a votar e baixou o aplicativo e-Título para se preparar. Ela relatou receio diante de ofensas e agressões nas ruas, mostrando que o incentivo à participação também precisa considerar a segurança e o bem-estar dos eleitores.
As dificuldades de acessibilidade aparecem em outros relatos. No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, enfrentou longas filas no primeiro turno, enquanto Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, precisou subir escadas para chegar à seção eleitoral em São Paulo. A Justiça Eleitoral prevê atendimento prioritário às pessoas idosas e medidas de acessibilidade para garantir autonomia e segurança durante a votação. Essas condições são fundamentais para que o direito ao voto possa ser exercido sem obstáculos desnecessários.
Com a aproximação do segundo turno, o Movimento Voto 70+ reforça que quem deixou de votar na primeira etapa pode participar da segunda, desde que esteja apto a votar e com a situação eleitoral regular. A campanha “Vovó Vota” incentiva familiares a oferecer companhia, organizar o deslocamento e ajudar na conferência dos documentos necessários. A proposta é ampliar a participação cidadã das pessoas idosas, valorizando suas experiências e garantindo que continuem presentes nas decisões que afetam seus direitos e o futuro do país.













