PT acusa PMs de SP de forjar flagrante com camisetas pró-Lula às vésperas do 2º turno
O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou esclarecimentos, nesta quinta-feira (22 de outubro de 2026), sobre denúncias de irregularidades em uma abordagem da Polícia Militar em Piracicaba, no interior de São Paulo. O caso envolve a acusação de que policiais teriam obrigado três jovens detidos por suspeita de tráfico de drogas a vestir camisetas com mensagens de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As imagens dos rapazes usando as peças foram divulgadas nas redes sociais pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública paulista.
A ocorrência aconteceu na quarta-feira (21), na comunidade Vitória Pantanal, no Jardim Monte Líbano. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), dois homens, de 21 e 24 anos, foram presos em flagrante, enquanto um adolescente de 17 anos foi apreendido após uma denúncia recebida pelo telefone 190. A pasta informou que foram encontradas 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340. Desse total, 23 porções da droga estariam com o adolescente e outras 137 com os adultos.
A suspeita de irregularidade surgiu após a mãe do adolescente afirmar que o filho e os outros dois jovens não usavam as camisetas políticas antes da abordagem. Em entrevista à CNN Brasil, ela relatou que o rapaz vestia uma regata azul quando saiu de casa e que, durante a ação policial, ele apareceu com uma camiseta branca estampada com mensagens de apoio a Lula. A mulher também denunciou agressões contra o filho e afirmou que sua filha, de 14 anos, foi atingida por um policial quando tentou se aproximar do irmão.
Diante das denúncias, o Ministério da Justiça determinou o envio de comunicações oficiais à SSP-SP, à Corregedoria da Polícia Militar e à Ouvidoria das Polícias para obter informações sobre eventuais procedimentos administrativos e disciplinares, além das medidas adotadas pelos órgãos. A pasta também destacou a importância de preservar provas que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos, incluindo gravações de câmeras corporais e de viaturas, registros de chamadas ao 190 e imagens de videomonitoramento.
A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo também solicitou o afastamento dos agentes envolvidos até a conclusão das apurações e cobrou celeridade na investigação. O órgão apontou que, caso sejam confirmadas, as denúncias podem envolver violência policial, abuso de autoridade, constrangimento ilegal e outras violações de direitos fundamentais. O pedido de afastamento, no entanto, não significa que a medida tenha sido efetivada.
O Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu a abertura de investigação pela Polícia Federal para apurar uma possível manipulação política e eventuais abusos de autoridade. A legenda sustenta que as imagens dos jovens com camisetas de apoio a Lula poderiam ter sido utilizadas para prejudicar a campanha petista às vésperas do segundo turno das eleições. O partido também quer que os envolvidos sejam ouvidos para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e a origem do vídeo divulgado nas redes sociais.
Em resposta às denúncias, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que não compactua com desvios de conduta e que pune rigorosamente os casos comprovados. A pasta informou, porém, que ainda não havia recebido registros formais das acusações de abuso relacionadas à ocorrência e orientou que as supostas vítimas procurem uma delegacia, a Delegacia Digital ou a Corregedoria da Polícia Militar para formalizar as denúncias.
Derrite, por sua vez, publicou o vídeo da ocorrência e defendeu o endurecimento das leis penais, incluindo a redução da maioridade penal. Em nota divulgada anteriormente ao Poder360, o senador eleito afirmou que o objetivo da publicação era chamar a atenção para o envolvimento de jovens com o tráfico de drogas e declarou que as alegações posteriores deveriam ser apuradas pelas autoridades competentes.















