Mais de 290 torres de energia caem no Brasil em meio a eventos climáticos extremos

Mais de 290 torres de transmissão de energia elétrica caíram no Brasil desde o final de julho de 2026, em meio a uma sequência de eventos climáticos extremos. Os dados foram atribuídos ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 22 de outubro. As ocorrências atingiram principalmente estruturas da rede de transmissão na Região Sul, onde as condições meteorológicas adversas têm exigido atenção redobrada das autoridades do setor elétrico.

Entre os fatores climáticos acompanhados pelo ONS está o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar os padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes regiões do Brasil. Entretanto, embora o fenômeno possa favorecer condições meteorológicas mais intensas, é necessário distinguir essa influência climática da causa específica de cada queda de torre. O Ministério de Minas e Energia confirmou que estruturas de transmissão foram derrubadas em decorrência de condições climáticas no Sul do país.

O cenário climático merece atenção. Em boletim divulgado em 1º de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em conjunto com outros órgãos federais, apontou probabilidade superior a 95% de que o El Niño atingisse intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro de 2026. Já o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em atualização publicada em 13 de outubro, informou que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,08 °C em setembro, o segundo maior valor registrado para esse mês desde 1950. Na medição semanal de outubro, o indicador alcançou +2,4 °C.

Apesar dos danos às estruturas de transmissão, o sistema elétrico brasileiro manteve indicadores de segurança e confiabilidade. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Sistema Interligado Nacional encerrou setembro com aproximadamente 61% de armazenamento nos reservatórios, ante 56% no mesmo período de 2025. O órgão também informou que a robustez da Rede Básica chegou a 96,5% em setembro, acima dos 95,4% registrados um ano antes, mesmo diante de eventos climáticos adversos e da estiagem na Região Norte.

O ONS continua monitorando as condições meteorológicas e hidrológicas para orientar a operação do sistema elétrico nos próximos meses. As projeções para o período indicam possibilidade de chuvas acima da média no Sul e de condições mais secas em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A evolução do El Niño, a ocorrência de ventos intensos e os efeitos sobre a infraestrutura de transmissão permanecem entre os pontos de atenção para a segurança energética do país.

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