Lula aceita incluir Marcola na abertura de sigilos e cobra reciprocidade de Flávio; Protocolo às 11h

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não se opõe às condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários e telefônicos, incluindo os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal do presidente. A declaração foi feita na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, pelo porta-voz da campanha petista, Camilo Santana, em meio à disputa eleitoral pelo segundo turno da Presidência da República, marcado para domingo, dia 25.

A controvérsia começou durante o debate presidencial realizado pela TV Band no domingo, 18 de outubro, quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos. Na terça-feira, dia 20, o presidente encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento autorizando a abertura de seus próprios sigilos e dos dados de familiares, desde que o adversário adotasse medida equivalente. A autorização apresentada pela campanha petista abrange os últimos oito anos.

Na quarta-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que aceitaria abrir seus sigilos, mas condicionou a medida à inclusão de Marcola, além de outras exigências relacionadas ao Instituto Lula e aos gastos com cartões corporativos da Presidência da República. Durante um evento de campanha em São Paulo, o senador declarou: “Eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele”. A campanha do candidato também solicitou informações sobre familiares do presidente e pessoas ligadas ao governo.

Em resposta, Camilo Santana declarou que Lula não se opõe às condições apresentadas pelo adversário, desde que Flávio também cumpra as exigências incluídas no pedido original encaminhado ao TSE. O porta-voz informou que a campanha pretendia protocolar uma autorização complementar às 11h de quinta-feira, 22 de outubro. Santana também questionou a exclusão da empresa Alcazar Holdings das condições apresentadas por Flávio, citando informações divulgadas pela imprensa sobre a relação do senador com uma conta bancária vinculada ao advogado Willer Tomaz. As circunstâncias envolvendo a empresa são objeto de apurações e questionamentos, e as suspeitas não devem ser tratadas como culpa comprovada.

Marco Aurélio Santana Ribeiro também aparece em investigações da Polícia Federal relacionadas a repasses financeiros da empresária Roberta Luchsinger, que é próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Segundo informações divulgadas pela imprensa com base nas investigações, os valores recebidos por Marcola teriam sido apresentados por ele e pela empresária como empréstimos pessoais. A apuração envolve suspeitas sobre possíveis relações entre os repasses e tentativas de negociação de contratos com o governo federal, mas a existência de investigação não equivale à comprovação de crime.

A discussão sobre a abertura dos sigilos tornou-se um dos temas da reta final da campanha presidencial. Até a última atualização confirmada, a posição pública da campanha de Lula era aceitar as condições adicionais propostas por Flávio, condicionando a iniciativa ao cumprimento recíproco das exigências. A efetiva apresentação dos documentos complementares e os desdobramentos no Tribunal Superior Eleitoral são etapas distintas do anúncio político e precisam ser verificados separadamente.

É importante esclarecer que o Marcola mencionado nesta disputa é Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-assessor presidencial. Ele não deve ser confundido com Marcos Willians Herbas Camacho, também conhecido pelo apelido Marcola, apontado pelas autoridades como líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A coincidência de apelidos não significa que sejam a mesma pessoa.

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