PF investiga ex-servidor do STJ suspeito de vazar decisões judiciais a advogado ligado a Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, a Operação Linceu para investigar um possível vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A ação ocorreu no Distrito Federal, onde os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A operação apura suspeitas de violação de sigilo funcional por um ex-integrante do quadro de servidores da Corte.

O principal alvo da investigação é Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, a Polícia Federal investiga se ele teria repassado informações sobre processos em tramitação e documentos jurídicos antes de sua divulgação oficial. Pradera foi exonerado na sexta-feira, 16 de outubro, após a abertura de um procedimento interno para apurar os fatos. O presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento do caso e determinou a apuração administrativa.

De acordo com informações atribuídas ao relatório da Polícia Federal, foram identificadas comunicações entre Pradera e Willer Tomaz nas quais o ex-servidor teria compartilhado informações sobre demandas internas do tribunal. Em um dos episódios descritos pelos investigadores, Pradera teria encaminhado ao advogado uma fotografia de um documento jurídico exibido na tela de um computador, aparentemente em ambiente de trabalho. A investigação busca esclarecer se houve acesso indevido a informações processuais protegidas por sigilo e se os dados teriam sido utilizados antes da publicação das decisões judiciais.

A apuração também examina possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal informou oficialmente que a operação busca esclarecer se um servidor então vinculado ao STJ facilitou o acesso de terceiros a informações de processos em andamento. A corporação não divulgou, em seu comunicado, a identidade dos investigados nem detalhes adicionais sobre as diligências, ressaltando que as apurações podem levar à identificação de outras condutas criminosas.

Willer Tomaz também aparece em outra investigação que, segundo a CNN Brasil, envolve suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas a uma plataforma de apostas e na qual Flávio Bolsonaro é investigado. A ligação entre os casos, contudo, não significa que todos os envolvidos sejam suspeitos dos mesmos fatos. A operação realizada em 19 de outubro tem como foco o possível vazamento de informações do STJ, e a responsabilidade de cada investigado deverá ser apurada individualmente.

Em manifestação divulgada pelo UOL, a defesa de Tomaz negou categoricamente que ele tenha obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou pareceres sigilosos. O advogado também negou ter interferido no conteúdo de manifestações do Ministério Público Federal (MPF) e afirmou que sua atuação profissional respeitou a legislação e as prerrogativas da advocacia. A reportagem da Folha informou que não conseguiu localizar a defesa de Humberto Pradera até a publicação do texto. O STJ, por sua vez, confirmou a abertura de procedimento interno e a exoneração do ex-servidor. Até o momento, as suspeitas permanecem sob investigação, sem que representem, por si só, comprovação de culpa.

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