Riza vende fazenda em Mato Grosso por R$ 200 milhões e mira novos negócios

A gestora de investimentos Riza Asset vendeu a Fazenda São Francisco I, localizada em Canarana, no nordeste de Mato Grosso, por R$ 200 milhões. A operação foi formalizada em 9 de outubro de 2026 e comunicada ao mercado no dia 13, segundo informações divulgadas pela gestora à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O negócio foi realizado pelo Terrax, fundo de terras agrícolas administrado pela Riza, que busca ampliar a liquidez de seu portfólio e direcionar recursos para novas oportunidades de investimento no agronegócio.

A propriedade negociada possui 5.346,32 hectares de área total, dos quais 3.939,23 hectares são considerados úteis e têm aptidão predominantemente agrícola. Com a correção das parcelas futuras, o valor total da transação poderá alcançar aproximadamente R$ 230 milhões, conforme estimativa da gestora. Em entrevista ao AgFeed, Paulo Mesquita, sócio da Riza, explicou a estratégia por trás da negociação: “Não foi um negócio da China, mas ganhamos dinheiro com ele”. Sobre os próximos passos, acrescentou que o objetivo é obter liquidez porque, segundo ele, “há coisa melhor para investir”.

O pagamento foi estruturado em três modalidades. A Riza receberá R$ 42 milhões à vista, uma propriedade rural no município de Getulina, no interior de São Paulo, avaliada em R$ 40 milhões, e o saldo de R$ 118 milhões dividido em quatro parcelas anuais, corrigidas à taxa de 10% ao ano. Considerando a atualização dos pagamentos futuros, a operação poderá atingir cerca de R$ 230 milhões. A estrutura combina entrada imediata de recursos, recebimento de outro imóvel e valores programados para os anos seguintes.

A fazenda recebida como parte do pagamento possui 594,93 hectares de área total e 542,94 hectares de área útil. Desse total, 488,25 hectares estão arrendados para o cultivo de cana-de-açúcar. Segundo as informações divulgadas pela gestora, o arrendamento representa um rendimento estimado de 3% ao ano sobre o valor do empreendimento. A Riza considera que a propriedade paulista oferece maior liquidez e poderá ser revendida com mais facilidade do que a área agrícola localizada em Mato Grosso, favorecendo a estratégia de movimentação de ativos do fundo.

A venda encerra uma etapa de pouco mais de dois anos de investimentos na Fazenda São Francisco. Em agosto de 2024, o Terrax adquiriu uma área original de aproximadamente 12,9 mil hectares por R$ 297 milhões. Na ocasião, foram pagos R$ 92 milhões à vista, enquanto os R$ 205 milhões restantes foram parcelados semestralmente até 2028, com correção equivalente a 85% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Posteriormente, a propriedade foi dividida em duas áreas, com estratégias diferentes de exploração e comercialização.

A primeira parte, denominada São Francisco II, possui aproximadamente 7,6 mil hectares e é predominantemente voltada à pecuária. Em abril de 2026, essa área foi negociada por R$ 115 milhões com os grupos Úbere Agropecuária e Agro Gerações, em uma operação estruturada no modelo buy to lease, que combina aquisição do imóvel, arrendamento rural e concessão de opções de compra. Já a São Francisco I, com maior vocação agrícola, foi vendida por meio de uma transação convencional, com pagamento misto e transferência definitiva do ativo conforme as condições contratuais.

Considerando o resultado econômico das duas operações envolvendo as áreas da Fazenda São Francisco, a gestora estima um impacto positivo de R$ 5,78 por cota do Terrax. Segundo Paulo Mesquita, esse efeito será distribuído ao longo do prazo previsto para os pagamentos dos compradores, o que equivale a aproximadamente R$ 1 por cota ao ano. A estimativa considera o conjunto das negociações, e não apenas o valor da venda anunciada em outubro.

A administração do fundo também avalia a possibilidade de utilizar os recursos da operação para antecipar a quitação do saldo devedor relacionado à aquisição original da fazenda, desde que consiga negociar um desconto economicamente vantajoso com o vendedor. Caso essa alternativa não seja considerada interessante, a gestora pretende direcionar os recursos para novas operações de sale and leaseback, modalidade em que o investidor compra uma propriedade rural e a aluga de volta ao antigo proprietário, frequentemente com possibilidade de recompra futura.

O Terrax está entre os principais fundos brasileiros especializados em terras agrícolas listadas em mercado, com patrimônio informado de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. A Riza Asset administra cerca de R$ 26 bilhões em ativos, dos quais aproximadamente R$ 5,5 bilhões estão relacionados ao agronegócio, distribuídos em 17 fundos. A gestora também concluiu recentemente a alocação de recursos do Terrax Vintage, fundo de R$ 400 milhões captado no fim de 2025, e prepara novas captações, incluindo um veículo em parceria com o Banco XP.

A venda da Fazenda São Francisco I demonstra como fundos especializados em terras agrícolas podem alternar entre aquisição, arrendamento e alienação de propriedades para administrar o capital disponível e buscar novas oportunidades. No caso da Riza, a negociação em Mato Grosso combina a entrada de recursos financeiros, o recebimento de um imóvel com atividade produtiva arrendada e a possibilidade de reduzir obrigações financeiras ou ampliar investimentos em outras áreas do agronegócio.

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