Há sinais… PL publica imagem de Flávio semelhante à de Mussolini em canal de mensagens

Uma imagem divulgada pelo Partido Liberal (PL), legenda do senador Flávio Bolsonaro, provocou polêmica após apresentar uma composição visual semelhante à utilizada em uma propaganda do ditador italiano Benito Mussolini, em 1934. A montagem foi publicada na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, no canal oficial do partido no WhatsApp, com o rosto de Flávio em preto e branco e a expressão “Tropa do Flávio” repetida ao fundo. A peça tinha como objetivo convidar apoiadores a participar de um grupo de mensagens voltado à campanha presidencial.

A repercussão ocorreu devido à semelhança com uma imagem histórica instalada na fachada do Palazzo Braschi, em Roma, que exibia o rosto de Mussolini cercado pela palavra “SÌ”, que significa “sim” em italiano. A composição foi utilizada em 1934, durante uma campanha relacionada a um plebiscito organizado pelo regime fascista. Na ocasião, os eleitores eram chamados a aprovar ou rejeitar uma lista única de candidatos apresentada pelo governo, em um contexto de restrição à competição política e repressão aos opositores.

Após a circulação da montagem e as críticas nas redes sociais, o Partido Liberal retirou a publicação do canal no WhatsApp. Em nota divulgada à imprensa, a legenda atribuiu a produção da arte ao Partido Liberal Jovem (PLJ), negou a intenção de fazer referência ao ditador italiano e afirmou que o material havia sido inspirado em peças gráficas antigas. O partido também pediu desculpas pelo que classificou como um equívoco e pelas interpretações decorrentes da semelhança visual.

“ O Partido Liberal Jovem (PLJ) fez uma publicação inspirada em peças gráficas da antiguidade e não teve qualquer intenção de fazer alusão à imagem referida. Ainda assim, o conteúdo já foi retirado do ar. O partido pede desculpas pelo equívoco e por qualquer interpretação decorrente dessa coincidência”, informou a legenda em comunicado reproduzido pela imprensa. A justificativa representa a posição oficial do partido sobre a origem e a intenção da peça.

A controvérsia também motivou análises sobre o uso de referências históricas na comunicação política. Em entrevista ao ICL Notícias, o historiador Odilon Caldeira, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e coordenador do Observatório da Extrema Direita, avaliou que a composição remetia à propaganda fascista. O pesquisador também levantou a hipótese de que a repercussão poderia deslocar o debate político para a discussão sobre o significado ideológico da imagem. Essa interpretação, entretanto, constitui uma avaliação do especialista, e não uma intenção comprovada dos responsáveis pela publicação.

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