A australiana Lynas Rare Earths anunciou, em 30 de setembro de 2026, um acordo para adquirir 100% da também australiana Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, de terras raras, no Sul de Minas Gerais. A operação foi avaliada em aproximadamente 968 milhões de dólares australianos, valor equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões. O negócio ainda depende de aprovações societárias e regulatórias no Brasil e na Austrália.
O Projeto Caldeira está localizado na região de Caldas, Andradas e Poços de Caldas e, segundo as empresas, reúne um dos maiores recursos conhecidos de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China. O empreendimento concluiu seu Estudo Definitivo de Viabilidade, mas ainda precisa avançar nas etapas de licenciamento ambiental antes da implantação da operação.
A aquisição da Meteoric é o que está formalmente previsto no acordo anunciado pela Lynas. A documentação apresentada pela companhia ao mercado australiano informa que a empresa pretende avaliar o potencial para desenvolver atividades de separação de terras raras no Brasil. Até o momento, porém, não foram formalizados pela companhia o valor do investimento, a capacidade de produção, a localização definitiva ou o cronograma de uma eventual planta de separação em Minas Gerais.
Em 1º de outubro de 2026, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou à CNN que o projeto apresentado pela empresa ao governo prevê uma planta de separação de óxidos de terras raras na região de Poços de Caldas. Segundo o ministro, a unidade poderia se tornar a maior planta industrial do setor fora da China. A declaração confirma que existe uma proposta em discussão com o governo, mas a implantação ainda depende de definições empresariais e das etapas necessárias para sua execução.
O Projeto Caldeira tem investimento estimado em US$ 498 milhões para seu desenvolvimento, conforme o estudo de viabilidade. Esse montante corresponde ao empreendimento mineral e não a uma eventual unidade de separação no Brasil. O projeto prevê uma operação estimada em 23 anos e produção média anual de aproximadamente 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras.
Entre os elementos identificados estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho e empregados em setores como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. De acordo com os dados divulgados pelas empresas, o projeto possui aproximadamente 802 mil toneladas de neodímio e praseodímio e 41 mil toneladas de disprósio e térbio contidos no recurso mineral.
A operação amplia a base de recursos da Lynas, que já atua na mineração e processamento de terras raras. Segundo informações divulgadas pela companhia, a incorporação do Projeto Caldeira aumentará em 79% seus recursos minerais e em 26% suas reservas de minério. A empresa considera o projeto estratégico para ampliar sua produção e fortalecer sua presença na cadeia global de terras raras.
Assim, são duas etapas diferentes: a compra da Meteoric e do Projeto Caldeira já foi formalizada por meio de acordo vinculante, enquanto a instalação de uma planta de separação em Minas Gerais ainda está em fase de avaliação e discussão. A eventual construção da unidade representaria uma etapa adicional da cadeia de processamento no Brasil, mas detalhes como investimento, capacidade e cronograma ainda não foram definidos oficialmente pela Lynas.













