Ministro diz que empresa ligada a filme sobre Bolsonaro recebeu dinheiro do crime

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, que a Entre Investimentos e Participações, empresa envolvida no financiamento do filme “Dark Horse”, recebeu recursos do crime organizado e do Banco Master. A declaração ocorreu durante os desdobramentos da Operação Crédito Oculto, deflagrada pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação apura estruturas utilizadas para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

“Dark Horse” é uma produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Entre Investimentos, controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, aparece nas investigações por ter participado de operações financeiras relacionadas ao financiamento da produção. Freixo Júnior é alvo da nova fase da investigação, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de combustíveis.

Ao comentar o caso, Durigan afirmou que os recursos movimentados pelas estruturas investigadas podem ter diferentes origens e que cabe à investigação identificar a destinação específica de cada valor. A declaração do ministro, portanto, relaciona a empresa utilizada nas operações financeiras a recursos que, segundo as investigações, também teriam origem no crime organizado, mas não estabelece, por si só, que dinheiro de uma facção criminosa tenha sido diretamente utilizado na produção do filme.

A Operação Crédito Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira em sete estados. Segundo a Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. A operação investiga estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros beneficiários de operações envolvendo uma empresa sucroalcooleira e uma grande distribuidora de combustíveis.

A relação entre o financiamento de “Dark Horse” e as investigações financeiras já vinha sendo apurada antes da operação desta quinta-feira. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a instaurar inquérito para investigar repasses feitos pelo então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a produção do filme. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil na época, os repasses investigados ultrapassavam R$ 60 milhões.

Também em setembro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de parte de uma investigação envolvendo empresas e pessoas relacionadas ao filme e mencionou possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As referências feitas nas decisões judiciais integram hipóteses investigativas e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a origem de todo o dinheiro utilizado na produção de “Dark Horse”.

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