Um homem foi encontrado morto dentro de uma casa em uma propriedade rural de Nova Bandeirantes, no norte de Mato Grosso, na noite de terça-feira, 22 de setembro de 2026. A ocorrência foi registrada pela Polícia Civil como homicídio doloso e aconteceu em uma fazenda identificada no boletim como Fazenda do Alex, nas proximidades da localidade conhecida como 4 Marcos. A polícia foi acionada depois que o proprietário informou que um de seus funcionários estava morto no imóvel.
Segundo o relato apresentado pelo proprietário aos investigadores, a vítima havia sido contratada aproximadamente uma semana antes para trabalhar na fazenda recebendo por diária. Na noite do crime, o dono da propriedade estava em Alta Floresta e recebeu, por volta das 21h15, uma ligação do suspeito relatando que a vítima estaria alcoolizada, reclamando do valor das diárias e manifestando a intenção de receber o pagamento e deixar o local.
O proprietário afirmou que conseguiu uma carona para a vítima na manhã seguinte e comunicou a informação aos dois trabalhadores. Como os ânimos estavam exaltados, orientou o suspeito a permanecer em seu quarto e deixar os demais trabalhadores do lado de fora para que a situação se acalmasse. Às 21h49, entretanto, recebeu uma mensagem do suspeito afirmando que a vítima teria entrado no quarto com uma faca e que ele havia efetuado disparos de arma de fogo para se defender.
A equipe da Polícia Civil aguardou a chegada da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Alta Floresta antes de seguir para a propriedade, que possui acesso considerado difícil. Os policiais e peritos chegaram ao local por volta das 4h20 de 23 de setembro. A residência estava aberta e com as luzes acesas. A vítima foi encontrada caída no quarto, logo depois da porta, em posição de decúbito dorsal, com os pés voltados para o interior do cômodo.
O corpo apresentava perfurações semelhantes às provocadas por disparos de arma de fogo. Durante o trabalho pericial, uma faca de cozinha foi encontrada na mão esquerda da vítima e apreendida. Também foram recolhidos dois projéteis de chumbo e uma cápsula deflagrada. Os materiais foram lacrados pela Politec para posterior análise.
A identidade da vítima ainda não havia sido oficialmente confirmada no local. Conforme registrado no boletim de ocorrência, havia documentos pertencentes a duas pessoas entre os pertences encontrados, mas a equipe policial considerou que a grande quantidade de documentos indicava que o homem poderia ser Adriano Gaspar de Oliveira. A confirmação dependeria dos procedimentos técnicos de identificação e dos exames realizados pela perícia.
Uma testemunha que também trabalhava na fazenda foi ouvida pelos policiais. Ela contou que os trabalhadores estavam preparando a carne de um porco abatido naquele dia e que o suspeito estava consumindo cachaça. Em determinado momento, segundo a testemunha, a vítima iniciou uma discussão com o suspeito por causa do valor das diárias. A testemunha disse que viu o suspeito entrar no quarto e, algum tempo depois, a vítima entrar na residência, mas não conseguiu acompanhar o que aconteceu dentro do imóvel porque permanecia do lado de fora.
Depois da conclusão dos trabalhos periciais, o corpo foi removido pela Politec e encaminhado para Alta Floresta, onde seriam realizados os exames de necropsia. A equipe da Polícia Civil retornou à delegacia levando os materiais apreendidos e a testemunha, que permaneceu à disposição da autoridade policial para prestar novos esclarecimentos, se necessário.
A versão apresentada pelo suspeito, de que os disparos ocorreram em uma situação de defesa diante de uma suposta ameaça com faca, ainda deverá ser analisada à luz dos depoimentos e das provas periciais. Até o fechamento desta reportagem também permanecia pendente a confirmação oficial da identidade da vítima e a divulgação dos resultados da necropsia.














