A fuga de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, será alvo de uma apuração administrativa. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Questionado sobre quem teria sido responsável pela falha que permitiu a fuga, o delegado afirmou: “Não cabe a mim dizer de quem foi a falha ali dentro do sistema”.
Segundo Victor Hugo, Angeliquinha escapou da unidade prisional em 17 de agosto de 2025 por uma área lateral que estava relacionada a uma obra. Conforme o relato apresentado pelo delegado, ela teria serrado as grades e deixado o presídio pela região onde funcionava uma casa de costura, que estava em reforma naquele período. A Polícia Civil deverá utilizar as informações levantadas para avaliar as circunstâncias da fuga e os procedimentos de segurança adotados na unidade.
Mais de um ano depois da fuga, Angeliquinha foi localizada e presa na terça-feira, 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A captura ocorreu por meio de uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso e das autoridades bolivianas. A investigada estava foragida desde 2025 e, segundo a Polícia Civil, possuía seis mandados de prisão em aberto e condenações que somam mais de 260 anos por diferentes crimes.
A Polícia Civil afirma que Angeliquinha é uma das principais lideranças de uma organização criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios da região. Durante entrevista após a prisão, o delegado afirmou que ela teria mantido influência sobre atividades criminosas mesmo depois da fuga. Segundo a investigação, sua atuação estaria relacionada a tráfico de drogas, extorsões e atividades ilegais em áreas de garimpo.
A permanência da investigada na Bolívia também passou a ser alvo de novas diligências. De acordo com o delegado, a polícia tem convicção de que ela exercia uma função relevante em Santa Cruz de la Sierra, mas ainda busca esclarecer exatamente qual era essa atividade. As autoridades investigam possíveis contatos e uma eventual participação na articulação de entrada e saída de drogas entre Bolívia e Brasil.
Durante o período em que permaneceu foragida, Angeliquinha teria utilizado um documento brasileiro falso e realizado procedimentos estéticos para modificar a aparência e dificultar o reconhecimento. A Polícia Civil afirma que ela vivia em Santa Cruz de la Sierra desde o período posterior à fuga de Cuiabá. As circunstâncias relacionadas à permanência no país vizinho e à eventual rede de apoio também continuam sendo investigadas.
Com a captura, a Polícia Civil trabalha nos procedimentos necessários para que Angeliquinha seja encaminhada de volta ao Brasil e fique à disposição da Justiça. O delegado afirmou que, após o retorno, ela deverá receber atenção especial no sistema penitenciário de Mato Grosso. Ao mesmo tempo, a apuração administrativa sobre a fuga deverá buscar esclarecer como foi possível a saída da detenta e quais medidas poderão ser adotadas para evitar ocorrências semelhantes.














