Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) estudou o uso de inteligência artificial para auxiliar no rastreamento de sinais relacionados à saúde mental de jovens usuários de redes sociais. O projeto, coordenado pela pesquisadora Lia Hanna Martins Morita, teve como foco a utilização de técnicas de mineração de textos não estruturados e processamento de linguagem natural para investigar conteúdos associados à depressão, ideação suicida e tentativas de suicídio.
De acordo com o registro oficial da UFMT, o projeto “Utilização de inteligência artificial no rastreio da saúde mental de jovens usuários de redes sociais digitais” foi cadastrado em 2022 e teve sua execução prorrogada até 31 de agosto de 2023, sendo posteriormente finalizado em fevereiro de 2024. A pesquisa recebeu R$ 86.860 em financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT).
Uma segunda etapa do estudo, identificada como Projeto 97/2023, deu continuidade à pesquisa entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Nessa fase, os pesquisadores analisaram dados obtidos por meio de um questionário de saúde mental aplicado voluntariamente a estudantes de graduação do campus de Cuiabá. O trabalho tinha aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e buscava produzir informações que pudessem contribuir para ações de enfrentamento à depressão e ao suicídio.
Apesar do título divulgado pelo Fatos do Dia MT, os registros oficiais consultados não comprovam que Mato Grosso já mantenha um sistema operacional capaz de monitorar as redes sociais e identificar, em tempo real, pessoas consideradas potenciais suicidas. O que está documentado oficialmente é a realização de uma pesquisa científica voltada ao desenvolvimento e estudo de técnicas de inteligência artificial aplicadas ao rastreamento de informações relacionadas à saúde mental.
Em âmbito nacional, uma tecnologia semelhante já é utilizada em outra finalidade. O Ministério da Saúde informou, em julho de 2026, que a plataforma Pode Falar, disponível no Meu SUS Digital, utiliza uma ferramenta de inteligência artificial para analisar mensagens de usuários que aguardam atendimento. Quando o sistema identifica indícios de risco elevado, um alerta é enviado à equipe responsável para que o caso seja priorizado.
A iniciativa nacional, porém, não representa monitoramento geral das redes sociais e também não corresponde ao projeto desenvolvido pela UFMT. A ferramenta do Ministério da Saúde está inserida em uma plataforma de acolhimento e atendimento em saúde mental, enquanto a pesquisa mato-grossense teve caráter acadêmico e investigativo. Até 20 de setembro de 2026, não foi localizada fonte oficial que confirme a implantação de um sistema estadual de monitoramento das redes sociais com essa finalidade.














